sábado, 14 de abril de 2007

Destruir ou não as últimas cepas do vírus da varíola?

Um debate dos mais interessantes está nessa edição do British Medical Journal. Estados Unidos e Rússia têm as duas últimas cepas do vírus da varíola. A questão é destruí-los para evitar acidente ou mantê-los para eventual ataque terrorista. Abaixo início do texto.
Should the US and Russia destroy their stocks of smallpox virus? Edward Hammond, director Sunshine Project, PO Box 41987, Austin, TX 78704, USA hammond@sunshine-project.org Smallpox was eradicated in 1980, but the virus still exists in WHO controlled depositories. Edward Hammond maintains that stocks should be destroyed to prevent the disease re-emerging, but John Agwunobi insists further research is essential for global security The World Health Organization is justly proud of the global effort that led to the eradication of smallpox; but the truth is that the job remains unfinished. Although it is almost 30 years since the last natural transmission of smallpox virus (Variola), laboratories in the United States and Russia retain virus stocks. The destruction of remaining Variola stocks is an overdue step forward for global public health and security that will greatly reduce the possibility that this scourge will kill again, by accident or design. Although deploying modern scientific techniques such as genetic engineering on smallpox virus may be intellectually intriguing, the risks far outweigh the potential benefits. In 1990, the US secretary of health and human services, Louis Sullivan, made a pledge on behalf of the US government. "There is no scientific reason not to destroy the remaining stocks of wild virus," he declared, "So I . . . [Full text of this article]

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Aumento do custo da assistência médica na França: um pouco além do envelhecimento

O aumento dos custos da assistência médica na França foram estudados pelos autores no texto que pode ser acessado (clic no título do post) com dados mais específicos e detalhados do impacto do envelhecimento. O custo das novas tecnologias pesa mais do que o aumento da proporção de idosos.
Causes of health expenditure growth: the predominance of changes in medical practices over population ageing. Brigitte Dormont et Hélène Huber Equipe Universitaire de Recherche - Institutions: Coordination, Organisation EURIsCO, Université Paris Dauphine, 2006 “…….The ageing of population is often referred to as a major determinant of the future evolution of health care expenditures. Indeed, at the individual level, health care expenditures is an increasing function of age. As life expectancy keeps improving in developed countries, the likely growing proportion of elderly people should lead mechanically to an accelerated growth of total health care expenditures….” “…..The increase in total health care expenditures in France can be explained by three distinct factors:(i) the purely demographic effect (namely, the increase in the proportion of elderly people, given that health expenditure is an increasing function of age(ii) the changes in morbidity at a given age (iii) the changes in practices, for a given age and morbidity level (e.g. technological progress). The aim of this paper is basically to disentangle, evaluate and interpret the respective effects of these three factors. If the technological progress hypothesis were to explain most of the rise in health care costs, it would reflect a collective choice towards allocating more health care to the elderly, coupled with improved technical feasibility…..”

quinta-feira, 12 de abril de 2007

Estudo de Mortalidade e Morbidade do Acidente Vascular Cerebral no Brasil: The Lancet Neurology

Abaixo, encontra-se carta publicada no The Lancet Neurology a respeito da vigilância epidemiológica da doença que mais mata no Brasil, mas ainda é muito pouco estudada: a doença cerebrovascular. Apresentamos as bases do EMMA (Estudo de Mortalidade e Morbidade do Acidente Vascular Cerebral) que utiliza a metodologia desenvolvida por Ruth Bonita na Organização Mundial da Saúde. O estudo foi financiado inicialmente pelo Conselho Nacional de Pesquisa e depois pela FAPESP. Completará um ano em maio próximo e, permitirá entender vários aspectos da epidemiologia e clínica das diversas formas da doença cerebrovascular. Clicando o título será possível chegar na página do The Lancet Neurology, mas será necessário registro para acessar o artigo. Ou então, solicitar no email desse blogue.
Lancet Neurology 2007; 6:387-388 Improving WHO STEPS Stroke in Brazil Paulo A Lotufo and Isabela M Bensenor Further to your editorial and the article by Truelsen and colleagues, which emphasise the importance of WHO STEPS Stroke methodology for cerebrovascular disease surveillance, we would like to comment on our experience with regard to the use of this surveillance tool. The rationale for studying cerebrovascular epidemiology in a country like Brazil is obvious, but paradoxically, there are few researchers focusing on clinical and epidemiological research about stroke. Death rates from cerebrovascular and coronary heart diseases surpassed those for infectious diseases in the 1960s and stroke mortality rates in Brazil are the highest in Latin America. However, most vascular research in Brazil is focused on coronary heart disease rather than stroke. There is a simple reason for this discrepancy: mortality due to stroke is twice as common among people living in neighbourhoods with low socioeconomic indicators than in those in more affluent ones. In the past 40 years, coronary care units have spread across the country; by contrast, there are no public stroke units. Patients with stroke are treated in emergency wards, and hospitalisation in a critical care unit is not considered a priority. Thrombolysis is common for patients with acute coronary syndromes but is unavailable for people with ischaemic stroke. By contrast with classic surveys located in small towns, our aim is to assess stroke distribution in São Paulo, a large metropolitan area with more than 10 million inhabitants. We chose the neighbourhoods located in the western area of the city, in which a teaching hospital with a 260-bed facility offers the only support for emergencies and is responsible for 80% of the hospitalisations of people living in the area. Here, we launched Estudo de Mortalidade e Morbidade do Acidente Vascular Cerebral (EMMA) study, funded by the Brazilian National Research Council. EMMA enrolled its first participant on May 10, 2006, applying the form proposed for step one of STEPS Stroke. In this phase, objectives are to characterise the delay in hospitalisation since the start of symptoms, to determine the frequency of stroke by hour of the day, day of the week, and month of the year, and to calculate the 28 day, 180 day, and 1 year case-fatality rates. For step two—which began in November, 2006—we included the assessment of housing conditions, with a detailed assessment of the place in which each stroke survivor lives. Step three, due to start this year, will offer strong support from primary care physicians in the area, mainly community health agents who are working together in the Family Primary Care Program. In addition to STEPS Stroke, we are implementing other tools to verify motor, speech, and alimentary tract disabilities with specific questionnaires and a clinical consultation with physiotherapists and speech disorder specialists

Entrevista em Pesquisa Médica

No número de Pesquisa Médica (abril-junho de 2006) eu sou o entrevistado discutindo questões sobre doenças crônicas, pesquisa médica e epidemiológica e, detalhando o Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto, ELSA.
Além da entrevista há outras matérias como os riscos e benefícios dos stents, como reconhecer as revisões sistemáticas que respondem à sua questão clínica, reprodução assistida, câncer e leishmaniose visceral. O acesso à revista é livre e, basta clicar no título acima ou buscar em http://www.revistapesquisamédica.com.br

quarta-feira, 11 de abril de 2007

A catástrofe chinesa: tabagismo

Na foto acima, vemos o pacote do cigarro chinês exportado para a Austrália com foto e aviso de risco de câncer de boca e garganta e, a mesma marca vendida na própria China. The New England Journal apresenta na edição de 12/4/07, texto com acesso livre (http://www.nejm.org) sobre a catástrofe da epidemia tabágica na China. Nesse ano morrerão 1 milhão de chineses por doenças associadas ao fumo, 2,5 vezes do número que morrerá nos EUA (país com população mais idosa e com exposição temporal mais intensa ao fumo do que a China). Importante a ação de Michael Bloomberg e, da grande ativista anti-tabágica Judith Mackay. Vale a pena ler clicando no título acima.

terça-feira, 10 de abril de 2007

Novamente a omissão da redução dos homicídios

Na Folha de S. Paulo (10/04/07), Paulo Sérgio Pinheiro e Marcelo Daher analisar o panorama da violência no país e criticam várias propostas sem apresentar alternativas. Até aí, tudo bem, pode-se concordar ou não, parcial ou totalmente com o texto publicado. No entanto, no final há a seguinte frase: "entre 2000 e 2006 aumentamos em 72% o número de presos. Temos em números absolutos e proporcionais a maior quantidade de presos da América Latina. Sem que a criminalidade diminua". Bem, e a queda dos homicídios observadas em São Paulo? Justamente, o Estado onde o número de prisões mais aumentou em todo o país, também em números absolutos e relativos.
Paulo Sérgio Pinheiro é o pioneiro nos estudos de violência e foi o fundador do Núcleo de Estudos de Violência da USP. A sua contribuição intelectual é das maiores na área. Mas, mesmo outros pesquisadores do núcleo, hoje não negam a redução importante dos homicídios no Estado. Se existe uma relação direta entre repressão e queda de homicídio há necessidade de uma série temporal maior e, de se observar o que está ocorrendo em outros estados.
Mas, por que negar um fato tão evidente como esse?

segunda-feira, 9 de abril de 2007

China proibe venda de órgãos e doação de menores de idade

Depois de críticas severas de organizações de direitos humanos, o governo chinês proibiu a venda de órgãos para transplante e a doação por menores. Porém, não apresentou nenhuma medida referente à doação por sentenciados à morte. O despacho do Daily News abaixo detalha o assunto. China Takes Steps to Deter Human Organ Profiteering Contributed by Tom Harrison 07 April, 2007 20:16 GMT New rules adopted by the Chinese government prohibit the sale of human organs for profit and make it illegal for persons under the age of 18 to make organ donations. The regulations, which are published in the People's Daily, take effect on May 1. China has been criticized for its organ transplant policies, particularly for the practice of selling organs harvested from executed prisoners, which is not addressed in the new rules. owever, they do limit the number of hospitals allowed to perform transplants, and they standardize the procedures. Most organs used for transplants come from voluntary donations, said the country's official news agency Xinhua. However, human rights groups argue that is not the case, contending that 90 percent or more of the organs used for transplants come from executed prisoners. Even if those individuals signed consent forms, they argue, the circumstances make it unlikely that it could be considered informed and voluntary. There is an extreme shortage of human organs available for transplant in China, partly due to a cultural taboo on removing organs prior to burial. About 10,000 transplant procedures take place annually, but an estimated 1.5 million people require them, according to Chinese health officials. The demand has spawned rampant abuses, leading Chinese legislators to push for reform

Corte na saúde pode ir a R$8,4 bilhões

A assistência médico-sanitária em todos os países apresenta custo elevado e crescente. No Brasil, não há diferença com o agravante que as políticas de inclusão decorrentes do Sistema Único de Saúde aumentam o número de cidadãos com direitos e necessidades de atendimento. Apesar da área econômica do governo alardear muito que há desperdício na Saúde, o que mais se observa na utilização não adequada dos recursos é a sua utilização política no Fundo Nacional de Saúde e na FUNASA, fatos já largamente noticiados. Hoje, a Gazeta Mercantil traz reportagem mostrando que o corte na saúde chega a R$8,4 bilhões. Depois, teremos o "apagão da assistência médica" e, os culpados serão os controladores, digo diretores de hospital. Interessante que partidários do governo federal fingem que não é com eles.....

Pena de morte e aborto: a maioria incoerente domina a cena.

No domingo e hoje, a Folha de S.Paulo apresenta pesquisa de opinião pública sobre dois temas relacionados à vida: pena de morte e aborto. Esse último assunto é relevante para a saúde pública visto que taxas baixas de mortalidade infantil somente ocorrem em países com aborto legalizado, sem falar nas taxas elevadas de mortalidade materna em decorrência das complicações dos abortos mal feitos em clínicas clandestinas.
A questão pena de morte e aborto, no entanto não serão resolvidas em breve, porque não há a mínima coerência em quem realmente decide porque há quatro possibilidades nessa questão e as duas contraditórias são as com maior força.Explico melhor.
(1) contra o aborto e a pena de morte: posição da Igreja Católica (e de seitas pentecostais), baseia-se no status quo, mas não é majoritária nem mesmo entre os católicos e pentecostais. Posicionamento em relação à vida: coerente.
(2) a favor do aborto e da pena de morte: posição minoritária na sociedade encampada por igrejas protestantes não-pentecostiais e por alguns intelectuais pragmáticos. Posicionamento em relação à vida: coerente.
(3) contra a pena de morte e a favor do aborto: posição da esquerda tradicional com força hoje no parlamento para evitar um plebiscito que lhe seria desfavorável nos dois temas. Posicionamento em relação à vida:incoerente. (4) a favor da pena de morte e contra o aborto: posição da maioria da população, encampada pela direita tradicional (ainda existe??), posição que venceria um plebiscito hoje ou nos próximos anos. Posicionamento em relação à vida: incoerente.
A solução para os dois temas é plebiscitária - minha opinião - mas não ocorrerá porque não interessa à esquerda no poder, nem aos religiosos. Por isso, essa discussão hoje é boa para ocupar espaço em jornal quando não há notícia de interesse. O ministro Temporão tem se posicionado com coerência, mas ao atiçar contra si fanáticos estará facilitando a vida de seu colega que quer "garfar" quase dez bilhões do orçamento da saúde.

domingo, 8 de abril de 2007

Arquivos Brasileiros de Cardiologia com indexação no Current Contents

Os Arquivos Brasileiros de Cardiologia foram indexados no Current Contents, um fato raro hoje em dia. A notícia chegou hoje, nesse domingo de Páscoa e, repassada pelo editor, Fábio Villas-Boas. Isso implica que os artigos lá publicados poderão ser avaliados quanto ao impacto, ou seja o número de citações. O fator de impacto é o novo maná da ciência e, o Current Contents, a nova Canaã. Mas, isso é assunto para outro momento.
Os Arquivos Brasileiros de Cardiologia foram fundados em São Paulo por Reinaldo Chiaverinni em 1941. Desde então é o órgão científico da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Em seus números se descreveu a história da especialidade no país. Há relatos importantes da evolução das miocardiopatias, da doença reumática, e do início da doença coronaria no país.
Reinaldo Chiaverinni foi o primeiro editor, depois durante mais de uma década, Wanderley Nogueira da Silva manteve a edição da revista de forma heróica. Somente nos anos 80, houve um compromisso maior com a edição da revista pela própria Sociedade. Sem querer faltar com ninguém, destaco Naim Sauaia, Max Grimberg e Alfredo Mansur como editores que deram quande impulso ao periódico. No momento, as homenagens vão para Carlos Serrano e, principalmente a Fábio Villas Boas pelo desempenho excelente na condução da revista. A ele, os cumprimentos merecidos por essa conquista.

sábado, 7 de abril de 2007

"O intelectual brasileiro tem obsessão pelo fracasso".

A revista Nossa História morreu em dezembro e, agora reapareceu como BrHistória. Muito boa essa edição, principalmente a entrevista com Evaldo Cabral de Mello cuja manchete é sensacional: "o intelectual brasileiro tem obsessão pelo fracasso". Para quem pesquisa e reflete sobre saúde e doença no Brasil e no mundo é nítida a dificuldade da intelectualidade brasileira em entender os avanços dos indicadores epidemiológicos brasileiros. Sejam eles, decorrentes da transição demográfica como a queda da mortalidade infantil ou de ações políticas, como a redução do tabagismo.

The New York Times inicia série sobre as 6 principais doenças.

O jornal americano começa nesse domingo uma série com reportagens longas sobre a situação de fato de seis doenças: coronariana, câncer, cerebrovascular, diabetes, pulmonar crônica (dpoc) e Alzheimer. Os textos são assinados por Gina Kolata, uma repórter "over-rated", que costuma exagerar nas suas reportagens como na famosa "cura do câncer" há nove anos e que produz livros medianos como o sobre a gripe espanhola. No Brasil, a situação epidemiológica é semelhante à americana, com a vantagem que não estamos tão velhos e gordos como eles. Porém, temos 1/12 da renda daquele país. Além das doenças escolhidas pelo NYT, as insuficiências cardíacas e renais e, as doenças oculares serão o principal problema de atenção médica, incluindo o Brasil. Além do sofrimento e morte, o custo da assistência é cada vez maior e, dependente da idade. Acima apresento, o custo das principais doenças em 2005 no Brasil (somente com os dados do SUS) de acordo com faixa etária.

Ginecologistas brasileiros e a Reposição Hormonal

O artigo de pequisadores da UNICAMP publicado em Maturitas com resumo abaixo (texto pode ser solicitado ao autor em flj@uol.com.br) , mostra que não há espaço para tanta manipulação nas condutas médicas. Apesar da enorme campanha para desacreditar os resultados do Women´s Health Initiative por médicos com laços evidentes com a indústria farmacêutica, parte considerável dos ginecologistas paulistas se renderam aos fatos revelados nesse mega ensaio clínico. O Women´s Health Initiative foi o mais caro ensaio clínico americano e, entre outros resultados mostrou que o princípio proposto de prevenção da doença cardiovascular com o uso de estrógenos ou estrógenos-progestágenos, não somente não previne, como aumenta o risco.
Mesmo antes dos resultados, sempre alertei para o equívoco de se utilizar um medicamento para sintomas como forma de prevenção da doença cardiovascular. Resta somente, agora seu uso como sintomático por curto tempo, o que já é uma boa indicação.
Maturitas. 2007 Feb 20;56(2):129-41. Lazar F Jr, Costa-Paiva L, Morais SS, Pedro AO, Pinto-Neto AM. Department of Obstetrics and Gynecology, School of Medical Sciences, State University of Campinas (Unicamp), flj@uol.com.br OBJECTIVE: The objective of this study was to evaluate gynecologists' knowledge of the WHI study, and its repercussions on their attitudes and practice 3 years after publication. DESIGN: A self-administered, anonymous questionnaire containing 19 questions was sent to 6000 gynecologists, members of the Sao Paulo Society of Obstetrics and Gynecology. RESULTS: The response rate was 24.2% (1453 completed questionnaires) with a sample error of 2.23% and confidence level of 95%. Although 95.9% of the respondents were aware of the WHI study, only 24.4% knew of all the other studies mentioned (HERS I, HERS II and Million Women Study). Although 84.6% stated that the results of the WHI study could not be extrapolated to other forms of HT, 23.1% and 25.2%, respectively, stopped prescribing CEE or MPA, 63.7% decreased the dose, 55.2% opted for drugs such as bisphosphonates, tibolone and SERMS, and 46.3% began to prescribe tranquilizers, isoflavone and other natural medications. Moreover, 59.2% agreed that HT should be used for only 4-5 years. Prescriptions decreased significantly for all indications (p<0.0001).> A high percentage of gynecologists in this study knew of the WHI study and followed its recommendations concerning cardiovascular prevention; consequently they changed their management of the treatment of postmenopausal women by restricting indications for HT and decreasing its duration of use and dose.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

Rio Grande do Sul: as maiores taxas de câncer de pulmão.

C0m a Souza Cruz recebendo apoio total da Governadora Yeda Crusius e do Movimento dos Sem Terra, o Rio Grande do Sul está quase unido na defesa incondicional do câncer de pulmão. Apresento acima, as taxas de mortalidade por câncer de pulmão e de laringe por estados brasileiros. A região sul desponta com o Rio Grande do Sul (primeiro), Santa Catarina (segundo) e Paraná (quarto). O "quase unido" da frase acima foi para saudar a luta dos médicos gaúchos contra o tabagismo, na figura de Mário Rigatto (1928-2000), um dos pais da pneumologia brasileira.
observação: as taxas em 100.000 por habitantes foram calculados em base do informado no site do Datasus no ano de 2004 para as faixa etária 45-74 anos para ambos os sexos.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Um caso de corrupção na China: exceção ou regra na aprovação de medicamentos?

The Wall Street Journal relata um caso de corrupção na China relacionado à regulamentação de medicamentos. A empresa local estava para aprovar o sal da claritromicina, um antibiótico, no equivalente da ANVISA. Ao invés de enviar o próprio sal, remeteu a formulação original da Abbott americana para o órgão fiscalizador. A empresa teve seu pedido aprovado e, desde então continua vendendo o seu sal (que não foi testado de fato). Recentemente, investigação do partido comunista confirmou o pagamento de propinas por parte da empresa.
Casos como esse abalam a credibilidade de tudo que foi e continua sendo feito na China e seu órgão regulador.
Abaixo, trecho da matéria.
In 1995, a Chinese drug maker was developing a version of clarithromycin, a popular antibiotic used mainly to treat respiratory infections. But to begin selling the medication, the company, Zhongxiang Kangshen Medicine Co., needed approval from China's drug regulator. So Luo Yongqing, director of Zhongxiang's research department, called his top employees to a meeting. According to Gao Chun, a research scientist who attended, Mr. Luo tossed a box of antibiotics made by Abbott Laboratories on the table and told the scientists to use the American drug maker's pills in their application for approval from the country's drug watchdog. Zhongxiang's own drug wasn't ready yet, Mr. Gao says, but the company didn't think that should get in the way. Some of the researchers agreed to substitute the pills, Mr. Gao says, but he refused. "I thought it was immoral and against the law," he says. A short time later, Mr. Gao stopped working for Zhongxiang and launched a decade-long fight against the drug and against government regulators, whom he accuses of taking bribes from his former employer to look the other way. The company won approval for the drug and has been selling it ever since. Mr. Gao's case failed in the courts, but the picture he painted of a system gone wrong has received surprising vindication. A major corruption probe has targeted China's former top drug regulator, a man with whom Mr. Gao had an angry confrontation as he pursued his case. The Central Commission for Discipline Inspection, the Communist Party's anticorruption watchdog, began investigating the regulator, Zheng Xiaoyu, in December and announced his expulsion from the party on March 1, alleging that he abused his power by taking bribes from drug companies. It is unclear whether he will face criminal prosecution. Mr. Zheng couldn't be reached for comment.