quinta-feira, 8 de fevereiro de 2007

Genéricos em alta nos EUA.

A prescrição e compra de medicamentos genéricos aumentou nos Estados Unidos, principalmente entre os idosos. Tudo isso apesar da propaganda intensa dos medicamentos de marca. Abaixo, reportagem do The Wall Street Journal.
Use of Generic Drugs Is Rising,Especially Among the Elderly By DEAN TREFTZFebruary 8, 2007; Page D3 WASHINGTON -- Government data to be released today show that almost two-thirds of prescriptions filled for Medicare beneficiaries are for generic, rather than brand-name, drugs, a proportion that is higher than in the under-65 age group and that is helping to lower the projected costs of the Medicare drug benefit. The Centers for Medicare and Medicaid Services, which runs the federal program for the elderly and disabled, found 61% of seniors' prescriptions were for generic medications in the third quarter, the third consecutive quarter of growth in using generics. The National Association of Chain Drug Stores also will announce today that the use of generic drugs rose to almost 53% of privately insured Americans, from 48% in 2005. Increased use of generics has been cited as one reason why growth in U.S. health-care spending has slowed from its earlier torrid rate. Generic alternatives to more expensive brand-name drugs allow seniors to delay reaching the drug benefit's coverage gap, also known as "the doughnut hole," or to avoid it altogether, Medicare officials said. The agency encourages the use of generic drugs.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2007

Racismo e Doença Cerebrovascular: uma hipótese

O professor Eduardo Faerstein do Instituto de Medicina Social da UERJ enviou carta apresentando o racismo com hipotético fator de risco para a doença cerebrovascular. A base foi editorial de minha autoria que pode ser acessado aqui ao lado: Stroke: a neglected disease in Brazil. Sao Paulo Med. J. vol.124 no.5 São Paulo 2006
Hypothesis: racism is a risk factor for cerebrovascular diseases Eduardo Faerstein I very much appreciated the editorial "Stroke in Brazil: a neglected disease",1 because it emphasized not only the high mortality rates due to cerebrovascular diseases in Brazil but also the surprising paucity of epidemiological studies that have so far investigated their determinants in our population. The editorial appropriately draws attention to the relevance of the social determinants of these conditions. I would like to suggest that the possible direct and indirect effects of racial discrimination in Brazil should be an issue for empirical investigation as potential determinants of cerebrovascular diseases. In fact, racism constitutes an additional axis of social inequalities that generate disease and deaths in our country, and has been the subject of growing academic interest.2 Recently, Chor and Lima3 reported that, differently from whites, black men and women aged 40-69 years have mortality rates from cerebrovascular diseases that are higher than from ischemic heart disease. In addition, our exploratory analyses among participants in the Pro-Saúde study in Rio de Janeiro suggested that perceived lifetime racial discrimination can increase the risk of hypertension (one major risk factor for cerebrovascular diseases), through the intervention of and/or interaction with socioeconomic adversity. These circumstances may act directly through chronic psychosocial stress and/or through more proximal etiological mechanisms in the causal chain (e.g. related to obesity).4 Research on cerebrovascular diseases in Brazil should take the possible effects of racism into account at the various stages of their natural history. In multiethnic societies such as ours this may shed light both on specific societal features of ethnicity-based discrimination – a historical, ever-changing phenomenon5 – and on its potentially wide-ranging health consequences. REFERENCES 1. Lotufo PA. Stroke in Brazil: a neglected disease. Sao Paulo Med J. 2005;123(1):3-4. 2. Faerstein E. Fórum: raça, racismo e saúde no Brasil. [Forum on race, racism, and health in Brazil]. Cad Saúde Pública. 2005;21(5):1584-5. 3. Chor D, Lima CRA. Aspectos epidemiológicos das desigualdades raciais em saúde no Brasil. [Epidemiologic aspects of racial inequalities in health in Brazil]. Cad Saúde Pública. 2005;21(5):1586-94. 4. Faerstein E, Chor D, Werneck G, Lopes CS, Lynch J, Kaplan G. Race and perceived racism, education, and hypertension among Brazilian civil servants (abstract). Am J Epidemiol. 2004;159(11):S35. 5. Fredrichson GM. Racism: a short history. New Jersey: Princeton University Press; 2003.

Patentes de medicamentos: uma revisão muito boa.

Não há necessidade de concordância com a conclusão dos autores, mas a revisão está muito boa. Acesso direto ao texto em http://www.scielo.br/csp
CHAVES, Gabriela Costa, OLIVEIRA, Maria Auxiliadora, HASENCLEVER, Lia et al. Evolution of the international intellectual property rights system: patent protection for the pharmaceutical industry and access to medicines. Cad. Saúde Pública, Feb. 2007, vol.23, no.2, p.257-267. ISSN 0102-311X. O artigo discute a evolução do sistema internacional de direitos de propriedade intelectual em três fases e as implicações para saúde pública, especialmente para a implementação de políticas de acesso a medicamentos. Durante a primeira fase, caracterizada pelas Convenções de Paris e de Berna, os países signatários determinavam os campos tecnológicos que seriam protegidos ou não. Na segunda fase, com a implementação do Acordo TRIPS pela OMC, os países são obrigados a garantir proteção patentária a todos os campos tecnológicos, inclusive para a indústria farmacêutica. Dentro das suas respectivas legislações nacionais, os países também têm a oportunidade de implementar o acesso às flexibilidades do TRIPS para medicamentos. Com a terceira fase, caracterizada pela negociação e assinatura de acordos comerciais bilaterais e regionais, os países terão que implementar medidas TRIPS-plus que podem ter implicações negativas para as flexibilidades do TRIPS e para políticas de acesso a medicamentos. Os autores concluem que a proposta atual de sistema internacional de direitos de propriedade intelectual favorece os direitos dos detentores de patentes, que deveriam estar em equilíbrio com os direitos à saúde para a população. Keywords: Medicamentos; Propriedade Intelectual de Produtos e Processos Farmacêuticos; Comercialização de Medicamentos.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2007

Obesidade em mulheres pobres: estudo da USP.

Um estudo sobre obesidade identificou paridade e raça como fatores associados em mulheres de renda baixa na cidade de São Paulo. Esse estudo foi a tese de Alessandra Carvalho Goulart, orientado por Isabela Martins Bensenor na Faculdade de Medicina da USP. A publicação encontra-se no Nutrition Research do mês de janeiro de 2007, cujo resumo segue abaixo.
Maiores informações e o texto com Profa Isabela Bensenor em
isabensenor@hu.usp.br . O autor do blogue é co-autor do estudo.
Race and parity as risk factors for obesity among low-income women in Brazil Alessandra C. Goulart, Fernando M. Silvaa, Isac de Castro, Paulo A. Lotufo Marly A. Cardoso, Isabela M. Bensenor In recent years, several reports have indicated that obesity and associated chronic diseases presented a huge increase worldwide, especially in low-income women living in undeveloped countries. The aim of this study was to verify, in a cross-sectional way, the association among obesity, diet, lifestyle and socioeconomic factors among 116 low-income women (mean age, 42.6 F 13.4 years) living in a deprived neighborhood in the metropolitan area of Sao Paulo, the main city in Brazil. The sample was categorized in 3 strata according to body mass index (V25.0, 25-29.9, and z30.0 kg/m2). Anthropometric measurements and cardiovascular risk factors, as well as diet, lifestyle, and sociodemographic characteristics, were compared. Frequency of obesity was 28.4%—higher than the frequency of obesity observed in other Brazilian population samples. After multivariate adjustment, compared with women with less than 3 childbirths, women with 3 childbirths or more were more overweight (odds ratio [OR], 3.4; 95% confidence interval [95% CI], 1.2-9.6) and more obese (OR, 5.3; 95% CI, 1.3-17.5). Compared to black women, white women were also more obese (OR, 9.9; 95% CI, 1.5-64.6). In this sample of low-income women, parity and race were the most important factors associated with obesity.

A favor dos médicos estrangeiros

Um email bem educado insinuou ser corporativista e, defensor do controle de mercado de trabalho médico. Explico.
A vinda de médicos estrangeiros é benéfica a qualquer país porque traz novos conhecimentos e culturas. A questão é como se entra no mercado de trabalho médico.
O primeiro passo é que estar no Brasil com passaporte sem restrição para entrar e sair de seu país de origem, extensivo aos familiares e, sem qualquer restrição de pedido de naturalização. O segundo é passar no exame de revalidação do diploma médico. O terceiro é cursar residência médica. O quarto é ser aprovado em concurso público. O quinto é viver como brasileiro, pagando impostos, aluguel, escola, alimentação com o salário aqui recebido.
Pergunto: médicos cubanos sem enquandram nesses requisitos mínimos?

Corrida para a Casa Branca: saúde em primeiro lugar.

A postulação de candidato democrata para Casa Branca em 2008 está em três candidatos (Hillary Clinton, Barack Osama e John Edwards). Edwards lançou um plano corajoso para cobertura universal e, não teve medo em avisar que isso ocorreria com aumento de impostos dos mais ricos. Leia abaixo parte da reportagem do The Wall Street Journal de hoje.
Os republicanos também estão abordando o tema, como o Mitt Rommey, o ex-governador de Massachusetts. O tema será decisivo, porque o Iraque já dividi o eleitorado americano, mas a saúde pode atrair aos democratas votos tradicionalmente republicanos.
Edwards's Plan for Universal Coverage To Be Matched by Rivals By SARAH LUECK February 6, 2007; Page A4 WASHINGTON -- John Edwards's call for universal health care marks the opening volley in two debates facing Democrats running for president in 2008: How to provide health coverage to some 47 million uninsured people and what to do about President Bush's tax cuts. Many of the party's White House hopefuls, including Sens. Hillary Clinton (D., N.Y.) and Barack Obama (D., Ill.), say extending coverage to all the uninsured is a priority. Their focus on relatively sweeping health-care proposals matches escalating concern among voters and employers about medical costs and coverage. (See related articles on Medicare and the ways that plans to expand health coverage could impact the insured.) So far, Mr. Edwards has provided the most detail about how he would accomplish this, with the release yesterday of a plan requiring the government, employers and individuals to contribute to the cost of extending coverage to the uninsured. The former North Carolina senator and 2004 vice presidential nominee also has stated that tax increases for upper-income people would be needed to fund his plan, which aims to provide universal coverage by 2012. Specifically, he has proposed raising taxes for households with incomes of more than $200,000. That would essentially repeal some of the tax cuts shepherded by Mr. Bush. Mr. Edwards also would fund some of his health-care proposals by reducing the "tax gap," the amount of revenue the government is owed, but doesn't collect. "Yes, we'll have to raise taxes," Mr. Edwards said Sunday on NBC's "Meet the Press." He said it is "the only way you can pay for a health-care plan" estimated to cost the government $90 billion to $120 billion a year. It remains to be seen whether voters will accept Mr. Edwards's vision of "shared responsibility," in which employers would have to help fund their workers' coverage and individuals would be required to purchase insurance, often with the help of new tax credits aimed at low-income and middle-class people. Medicaid and the State Children's Health Insurance Program, or SCHIP, would be expanded to cover more children and low-income parents. New regional "health markets" would offer comprehensive health-insurance plans to anyone who doesn't get insurance through their jobs or a government program. Some Democrats expressed surprise at the bluntness of Mr. Edwards's remarks in favor of tax increases, but many health-policy experts believe higher taxes would be needed to fund any serious attempt at universal coverage.

sábado, 3 de fevereiro de 2007

Hormônio do crescimento: mais uma fonte da juventude.

Ao contrário da testosterona, tão elogiada em revistas semanais. O uso do hormônio do crescimento como mais uma "fonte da juventude" não foi recomendado por Veja. Abaixo, parte da matéria. O restante em http://www.veja.com.br
O hormônio da ilusão Um estudo põe na berlinda o GH, uma das substânciasmais populares no combate ao envelhecimento Paula Neiva Na luta da ciência contra a ação do tempo, os hormônios são as apostas mais recentes. Como o conhecimento sobre o papel dessas substâncias ainda é limitado, não raro se investe em uma delas que, algum tempo depois, se revela inócua, quando não perigosa. O alvo da vez é o GH, sigla em inglês para o hormônio do crescimento, popular sobretudo nas academias de ginástica, graças a seus supostos poderes de aumentar músculos, reduzir gordura e melhorar a disposição. Na última edição da revista médica Annals of Internal Medicine, foi publicado o mais importante estudo de revisão já feito sobre o impacto da reposição de GH na saúde de homens e mulheres. O trabalho, realizado por pesquisadores da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, analisou 31 estudos científicos, considerados os mais significativos sobre o tema, e chegou à seguinte conclusão: o hormônio do crescimento não tem nenhuma serventia para conter o processo de envelhecimento.

FDA sob nova administração

O Congresso americano agora com maioria do Partido Democrata está atacando um dos maiores problemas na área da saúde, o Food and Drug Administration, o famoso FDA. Artigo na edição do The Wall Street Journal mostra as várias propostas em votação.
Congress is kicking off efforts to pass big reforms of the Food and Drug Administration, and that could produce some bitter pills for the pharmaceutical industry: potentially, tougher safety rules and provisions to reduce the cost of medicines. Yesterday, Sen. Edward Kennedy of Massachusetts and Sen. Michael Enzi of Wyoming, the chairman and ranking Republican of the health committee, respectively, introduced legislation that would give the FDA new authority to impose safety requirements on medicines once they go on the market, including restrictions on consumer advertising. The bill also would require registration of clinical drug trials and their results in public databases.

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2007

Diversitydata.org

Se você quiser saber qual a região metropolitana com maior número de assassinatos ou com número de horas de atraso por congestionamento - nos Estados Unidos - acesse o novo site criado pela Harvard School of Public Health http://www.diversitydata.org
Acredito que no Brasil será possível uma página semelhante a essa, juntando os dados do IBGE, DATASUS, IPEA e outros institutos de pesquisa e informação.
WEB SITE REVEALS SOCIOECONOMIC INEQUALITIES The School launched a web site called DiversityData.org on January 24 at a special event at the National Press Club in Washington, DC. The web site offers profiles of specific metropolitan areas and ranks them according to indicators of health; population demographics and diversity; housing opportunities; economic opportunities; education; residential integration and neighborhood characteristics; crime; and physical environment

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Paquistão: escola médica para os EUA.

Na mesma edição do The New England Journal of Medicine, o relato da situação dos médicos do Paquistão. Um país pobre, que forma médicos para trabalhar nos Estados Unidos. A presença deles nos hospitais americanas é nítida e visível a qualquer um que lá trabalhe, tal a quantidade (e, boa qualidade). A conseqüência será a falta em breve de médicos no país. Uma solução será importá-los de Cuba.
Pakistani Physicians and the Repatriation Equation Saad Shafqat, M.B., B.S., Ph.D. and Anita K.M. Zaidi, M.B., B.S. In Pakistan, students who are accepted into medical school are congratulated — only half-jokingly — on three counts: that they will become doctors, that they will become certified by the American Board of Medical Specialties, and that they will soon be living in the United States. Pakistan has contributed approximately 10,000 international medical graduates (IMGs) to the United States, even though it faces a shortage of physicians. Take the case of Aga Khan University Medical College in Karachi. By 2004, it had produced 1100 graduates, 900 of whom had gone on to graduate medical training in the USA .

quarta-feira, 31 de janeiro de 2007

Os médicos de Gana e a globalização de médicos.

The New England Journal of Medicine dessa semana em artigo com acesso direto no site http://www.nejm.org apresenta a situação dos médicos de Gana, que tal os jogadores de futebol, estão abandonando seu país para atuar no Reino Unido e Estados Unidos. Essa situação está piorando a assistência naquele país. Porém, Cuba, sim de Cuba já vieram 200 médicos para o país africano. Ou seja, saem os melhores para Estados Unidos e Europa e, vêem os cubanos. Interessante essa nova forma de divisão mundial do trabalho médico.

terça-feira, 30 de janeiro de 2007

Médicos cubanos na Venezuela: seu nome é escravidão.

No Estadão (27/01/07), Paulo Moreira Leite fez uma excelente descrição do médico cubano na Venezuela no link abaixo. A família do médico permanece em Cuba, sua ativididade é controlada, não há liberdade de ir e vir....o que parece isso? liberdade profissional? ou escravidão ou semi-escravidão? Hoje, publica em seu blog o seguinte comentário:
Médicos cubanos, venezuelanos e brasileiros por Paulo Moreira LeiteAuthor Seção: brasil às 09:56:25. Conversei com um antigo ministro da Saúde sobre o balanço da OMS na Venzuela, que mostra um progresso importante no primeiro atendimento nos bairros pobres depois que o governo de Hugo Chávez assinou um convênio com Fidel Castro, onde troca petróleo por médicos e enfermeiros. Ele admitiu: “não é novidade.” A origem do problema, como se sabe, é que os médicos venezuelanos não querem trabalhar nos bairros pobres. “Esse problema também ocorre no Brasil. Nem adianta subsidiar, oferecer ajuda para o transporte e um salário mais alto. A maioria não se interessa. Sem falar naqueles que aceitam o emprego, pegam o salário mas não aparecem no local de trabalho.”Anos atrás, o governo brasileiro chegou a cogitar uma cooperação com o regime cubano, importando médicos formados na Ilha. A idéia não foi adiante por diversas razões – inclusive pelo receio de se produzir um escândalo político. Mas desde então Brasília faz vista grossa para prefeituras e governos de Estado que mantém convênios desse tipo com o regime de Fidel Castro.Leia mais sobre isso emhttp://txt.estado.com.br/editorias/2007/01/27/int-1.93.9.20070127.7.1.xml
Ou seja, sobrou para o médico brasileiro, o comentário de ministro não-identificado cujo conteúdo merece contestação. Mas, fica para outro momento.

PLOS Medicine: imperdível.

Imperdível, a mais recente edição de PLOS Medicine, a Public Library of Medicine. Acesso livre, obviamente. em http://medicine.plosjournals.org Vejam os principais artigos: Does Industry Sponsorship Undermine the Integrity of Nutrition Research?
Authors, Ghosts, Damned Lies, and Statisticians Measles Still Has a Devastating Impact in Unvaccinated Populations When Is Replacement Feeding Safe for Infants of HIV-Infected Women? Worldmapper: The Human Anatomy of a Small Planet XDR-TB in South Africa: No Time for Denial or Complacency The Structure and Function of Research Ethics Committees in Africa: A Case Study Epidemiology of Tuberculosis in a High HIV Prevalence Population Provided with Enhanced Diagnosis of Symptomatic DiseaseTobacco Smoke, Indoor Air Pollution and Tuberculosis: A Systematic Review and Meta-Analysis

segunda-feira, 29 de janeiro de 2007

Tailândia suspende patentes do Plavix e Kaletra.

Ditaduras são uma "beleza para a saúde pública". Basta um decreto e, pronto, encerra-se a questão. Bem, estamos na democracia com poderes legislativo e judiciário e, ministério público, imprensa livre e com convenções internacionais em vigor. A Tailândia suspendeu a patente do Plavix (pós-infarto do miocárdio e acidente vascular cerebral) e do Kaletra (HIV). O Brasil é citado como país que bateu firme e, conseguiu redução do preço do Kaletra. Detalhe para influência da indústria farmacêutica indiana nessa decisão. Abaixo, trechos da reportagem do The Wall Street Journal.
Thailand Suspends Patents on Two Drugs By NICHOLAS ZAMISKAJanuary 29, 2007 1:48 p.m. HONG KONG -- A decision by Thailand's new, military-installed government to increase access to drugs by suspending patent protections on a heart-disease treatment and an HIV medication highlights a growing tension over intellectual-property rights versus public-health interests. The decision was criticized by the pharmaceutical industry, which said Bangkok is considering allowing copycat versions of more drugs in the near future. The government's move was notable partly because it included the heart medicine, expanding the realm of drugs over which such conflicts have typically occurred. Thailand's Ministry of Health confirmed Monday that the government had approved the sale and production of cheap, generic versions of Plavix, the blood-thinning drug originally developed by Sanofi-Aventis SA, of Paris, and now co-marketed in several countries with Bristol-Myers Squibb Co., of New York, and the HIV treatment Kaletra, made by Abbott Laboratories, of the U.S. World Trade Organization rules allow a government to unilaterally declare an emergency and make or sell patented drugs without the permission of the drug companies.
In fact, a government's ability to suspend a company's drug patent can prove a powerful bargaining chip in reducing prices. In July 2005, for instance, Brazil reached an agreement with Abbott that lowered the price of Kaletra while preserving the company's patent on the drug. Indian generics makers, which for years have benefited from that country's lax patent laws, stand to benefit from the Thai decision. Bangkok is considering making its purchases from Hetero Drugs Ltd. and Cipla Ltd., both of India, according to Thawat Suntrajarn, director general of the Ministry of Health's department of disease control.
Dr. Thawat said the government's move will cut the price of the HIV drug Kaletra in half, reducing the monthly cost per patient to about 3,000 Thai baht ($89.55) or less. At current prices, the government can afford to provide medicine to only one-fifth of the 500,000 people living with the HIV virus in Thailand, Public Health Minister Mongkol Na Songkhla told the Associated Press, adding that the ministry was willing to talk to the companies about importing their drugs at cheaper prices.

domingo, 28 de janeiro de 2007

Exame de Ordem: uma opinião de Jânio de Freitas

Aos opositores do exame do CREMESP, uma advertência vinda de Jânio de Freitas, da Folha de S. Paulo.
JANIO DE FREITAS Doença brasileira 40% dos formandos em medicina não têm nem os conhecimentos mínimos para exercê-la ENQUANTO se discutem os efeitos hipotéticos do pacote de um presidente que declarava encerrada, por seu governo, a era dos pacotes, uma notícia literalmente fatídica mal chegou à superfície: 40% dos formandos em medicina não têm nem os conhecimentos mínimos para exercê-la - mas logo estarão, ou já estão, atendendo como médicos. Não são formandos de faculdades em estados precários, Piauí, Amapá, Rondônia, mas de faculdades da riqueza paulista, submetidos ao veredicto do Conselho Regional de Medicina de São Paulo-Cremesp.Duas observações do coordenador do exame, cardiologista Bráulio Luna Filho, dimensionam a ênfase merecida, mas negada, pela notícia.Os formandos em geral iniciam a prática médica pela emergência hospitalar, onde a maioria dos pacientes chega necessitando de tratamento tão urgente quanto competente. Aí os aguarda a alta probabilidade de atendimento incompetente.A má formação manifesta-se com a mesma ameaça em outros setores, inclusive consultórios particulares, como se deduz das 3.360 denúncias de erros médicos em 2005, com aumento de 142% em apenas dez anos. Não por acaso, a maioria dos acusados foi formada, ou melhor, diplomada pelas faculdades com o desempenho mais deplorável no Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes, o Enade.Do anterior para o recente exame aplicado pelo Cremesp, ficou evidente a piora constante do ensino de medicina, com mais 7% de reprovações só de um ano para o outro.E olhe que os formandos dispostos ao teste do Cremesp, não obrigatório, são tidos como os melhores de suas faculdades.Vê-se que o tal Enade não se prestou à utilidade tão propalada.Mais útil - aliás, só por absurdo ainda inexistente - é outro tipo de exame.Assim como a Ordem dos Advogados do Brasil exige a aprovação em exame seu, para dar validade profissional aos diplomas das faculdades de Direito, os diplomados em medicina não poderiam ser dispensados de exame pelas autoridades da profissão, para justificarem a confiança das vidas alheias.De garis, estes heróis das cidades, e de médicos depende a nossa existência de seres urbanos