segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Atendimento do Câncer no SUS: a proposta de central de internação em 2001,

Reproduzo abaixo texto publicado em 20 de abril de 2001 na Folha de S.Paulo, ou seja há mais de dez anos. Raul e eu, consideramos a necessidade de uma central de internação que evitasse filas múltiplas e priorizassem quem tivesse melhor prognóstico. A sua existência permitiria um relacionamento entre o público e o privado com ganho para todos, principalmente para os pacientes.
Fica o registro.

TENDÊNCIAS/DEBATES

O atendimento de câncer pelo SUS
RAUL CUTAIT e PAULO LOTUFO

O câncer é uma doença comumente associada à morte, mas é curável em mais de 50% dos casos. A evolução favorável depende do tipo de tumor, da fase em que ele é diagnosticado e do tratamento realizado. Quando a cura não é possível, cabe aos médicos e ao sistema de saúde oferecer todas as medidas que não apenas prolonguem a vida, mas que também mitiguem o sofrimento físico e emocional que, não raro, atinge tanto os pacientes quanto os seus familiares.
A abordagem do câncer -doença que é responsável por 15% de todos os óbitos no Brasil- costuma ser complexa e de alto custo. Requer, além de médicos e de outros profissionais de saúde competentes, instituições equipadas e que tenham uma estrutura organizacional que facilite o atendimento aos pacientes com a doença.
No nosso país, cerca de 80% de todos os portadores de tumores são atendidos pelo SUS (Sistema Único de Saúde), o qual ainda não está convenientemente estruturado para atender à demanda existente. Os Cacons (Centros de Alta Complexidade em Oncologia), referências do SUS, conseguem atender apenas de 5% a 10% de todos os casos, cabendo aos hospitais gerais o restante do atendimento.
Em recente debate sobre o atendimento de câncer pelo SUS, promovido pela Associação Paulista de Medicina e pela Folha, com a participação de figuras representativas do setor, foram discutidos alguns tópicos que geraram reflexões e propostas.
Um dos principais gargalos do atendimento de câncer pelo SUS se dá porque o sistema só é acionado após a feitura do diagnóstico. Como este depende de conhecimentos médicos e de exames nem sempre disponíveis, é comum haver uma indesejável demora na sua feitura. Deve-se pensar em uma nova política de encaminhamento, baseada não no caso confirmado, mas quando do surgimento da suspeita de câncer.

Ao rápido atendimento devemos agregar a qualidade, mensurada pelos bons resultados do tratamento e pelos custos

Isso geraria uma maior agilidade -conforme a experiência de Jaú com centros de triagem- e uma economia de recursos -de acordo com estudos recentes do Hospital do Câncer.
Por outro lado, não basta um diagnóstico ágil sem o rápido acesso ao tratamento. Isso é um problema adicional no SUS, em razão do número limitado de Cacons e do baixo interesse dos hospitais gerais em criar estruturas que favoreçam o atendimento ao câncer. A solução passa por estimular o credenciamento de mais hospitais e de serviços especializados de reconhecida competência. A vantagem de uma remuneração diferenciada, à semelhança do que se oferece aos Cacons, é um bom estímulo para ampliar o número de centros de atendimento.
Nessa mesma linha de raciocínio, ao rápido atendimento devemos agregar a qualidade de atendimento, mensurada pelos bons resultados do tratamento e pelos seus custos. Para tanto, além de hospitais adequadamente equipados, é necessário investir maciçamente na equipe de profissionais de saúde.
Qualidade não deve ser prerrogativa de hospitais sofisticados ou de centros universitários, cabendo aos hospitais públicos que se organizem para melhorar os seus padrões de atendimento. Educação continuada e reuniões multidisciplinares, que implicam melhores decisões e aprimoramento científico dos médicos e de outros profissionais, devem ser obrigatórias nos centros e nos serviços credenciados.
A utilização de condutas clínicas padronizadas, uma importante ferramenta, deve ser também considerada. Um outro aspecto a ser ponderado é quanto à necessidade de encaminhar pacientes com tumores menos frequentes para centros de referência, com o objetivo de garantir uma melhor qualidade de atendimento.
Devemos, finalmente, ponderar sobre a conveniência de criarmos centrais para a triagem e o atendimento nos casos com suspeita ou com diagnóstico confirmado de câncer, a fim de abreviarmos o período de espera para exames e para tratamento, além de acabar com as filas hoje existentes em alguns hospitais.
Acreditamos que a implantação dessas propostas poderá, num médio prazo, melhorar de maneira considerável o atendimento de pacientes com câncer pelo SUS, tornando-o mais efetivo e mais humano.



Raul Cutait, 51, é professor associado da Faculdade de Medicina da USP, diretor do Centro de Oncologia do Hospital Sírio Libanês e presidente do Instituto para o Desenvolvimento da Saúde. Paulo Lotufo, 44, é professor da USP, diretor da Divisão de Clínica Médica do Hospital Universitário da USP e diretor científico da Associação Paulista de Medicin

sábado, 13 de agosto de 2011

Nova casa em setembro

Aguardem estaremos de volta em setembro/outubro em portal específico de notícias em saúde.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

Estamos de volta....

Esse blogue está retornando após dois anos parado. Ainda estarei remodelando e atualizando as informações.
Aguardo sua visita

sábado, 17 de outubro de 2009

Uma experiência interessante.

Interessante foi a palavra mais utilizada nesse blogue para valorizar notícias.
Mas, desde 01 de maio esse blogue não foi atualizado e, provavelmente não será nos próximos meses até que se consiga criar uma nova estrutura que garanta ao mesmo tempo amplitude e profundidade dos temas abordados.
O blogue tinha uma audiência entre 200-300 internautas por dia, pouco se comparado a outros, mas atingia exatamente o público a que se destinava: imprensa, formadores de opinião e acadêmicos.
Parei o blogue porque:
(1) falta de tempo:
porque não assumir que esse é o nosso maior problema e deixar de culpar tudo e a todos?
(2) controle de qualidade deficiente:
Erros de digitação e de concordância que me irritavam.
mas, principalmente a insatisfação em não conseguir conferir a fundo várias informações veiculadas;
(3) contradição entre a atividade acadêmica e a liberdade de expressão:
Parece uma bobagem imensa a frase acima, mas estar na Universidade, no meio científico implica controlar-se o tempo inteiro, limitar sua expressão ao mínimo para evitar revides contundentes.
Sempre tentei ser o mais transparente possível nas relações com a indústria e governo, mas como ser "independente" com tantos compromissos assumidos - de forma legal e legítima - tanto com o poder público como com empresas?
A proposta que lanço a quem se interessar é criar uma página eletrônica com conteúdo jornalístico acompanhado de blogues com diversidade de opiniões, onde o Blog do Paulo Lotufo, poderá retomar suas atividades.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

O caso Vioxx e autores fantasmas: quase dez anos de história

O caso Vioxx já deu muito o que falar. Um medicamento excelente para uso por curto período, o rofecoxib, foi empurrado goela abaixo para uso crônico pelo fabricante. No Brasil, Vioxx pela Merck-Sharp Dohme. O artigo inicial publicado em novembro de 2000 chamado VIGOR mostrava a que o rofecoxib e, um medicamento tradicional, naproxeno eram tão efetivos quanto no tratamento da artrite reumatóide. Mas, os efeitos gastrointestinais eram raros no grupo que usou o rofecoxib. Inicou-se a febre Vioxx..
Menos de um ano após a publicação, uma revisão dos próprios dados do VIGOR e de outros dois menores apontava o risco maior de infarto do miocárdio.
A empresa abafou o fato de acordo com a capacidade de reação de cada comunidade acadêmica.
Para isso publicou um artigo na revista Circulation contradizendo a análise que apontava risco.
Hoje, publica-se extensa reportagem - impossível de reproduzir aqui - sobre o processo de montagem do artigo e, da escolha de um professor da Tufs University que seria um autor fantasma. O link da reportagem é http://www.theheart.org/article/965721.do#bib_3

terça-feira, 28 de abril de 2009

O governo do Irã é mais do que está na imprensa

Entidades médicas e ONG de ação contra a aids bem que poderiam enviar uma moção ao presidende do Irã na visita que fará ao país.
Treating AIDS is NOT a Crime Drs. Kamiar and Arash Alaei are well-known Iranian HIV/AIDS physicians who have made breakthroughs in harm reduction and stood up for the health and human rights of the people of Iran. Instead of being rewarded for their groundbreaking work, they’ve been thrown into prison in Iran—and they need your help. The Alaeis were tried on charges of with communicating with an enemy government in late 2008, and in January 2009 were sentenced to 3 years (Kamiar) and 6 years (Arash) in Tehran’s notorious Evin prison. Their crime: practicing good medicine and sharing public health knowledge with colleagues across the globe—including in the US. Their arrest robs the world of two great physicians and has a chilling effect on public health dialogue and diplomacy worldwide. Help free the Alaeis: Take action on May 12, the Global Day of Action fo

terça-feira, 21 de abril de 2009

The Economist: Health Care and Technology

The Economist nessa edição (18 a 24 de abril) traz um encarte com 14 páginas sobre o tema Assistência Médica e Tecnologia. Não traz muita novidade. Mas, o enfoque dessa revista, maior ou menor, acaba pautando o restante da imprensa e, mesmo os setores acadêmicos e industriais da saúde em todo o mundo.
Aproveitando o ensejo, a capa de The Economist mostra o virtual presidente eleito da África do Sul: Jacob Zuma. Quem será o seu ministro da saúde? Há possibilidade da "doutora beterraba "voltar? Ativistas da aids estão temerosos.

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Um excelente texto, mas com uma citação errada.

Naomar de Almeida Filho expressou ontem na Folha de S.Paulo a angústia e o sufocamento existente entre aqueles que desejam que o Estado brasileiro e, principalmente a Universidade cumpra a sua missão. Um crítica de conteúdo ao "controlismo" atual que impede qualquer inovação.
Distribui o texto a vários amigos, um deles respondeu que concordava com o texto, já tinha lido pela manhã no jornal. No entanto, ele informou que a citação a um "intelectual paulista" como crítico áspero da autonomia universitária tal como feita por Naomar foi equivocada. Fui conferir agora, o meu amigo estava certo.
O intelectual em questão é Roberto Romano.
Bem, o Brasil tem poucas inteligências, duas delas atendem pelos nomes de Naomar de Almeida Filho e Roberto Romano.
Por favor, não se deixem levar por mal entendidos.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Sol faz bem à saúde!

Novamente, a crimininalização do Astro-Rei. O VIGITEL não precisava entrar nessa fria...oops! Já mostrei que americanos já abandonam a fobia ao sol. Mas, ainda morremos de doença cardiovascular, cânceres de próstata e de cólon, de fraturas mas pálidos. Abaixo, reportagem da Folha de S.Paulo.
Os brasileiros passaram a se proteger menos do sol, mostra pesquisa do Ministério da Saúde, divulgada ontem. O índice de proteção contra radiação ultravioleta no país caiu de 53,3% para 43,9% de 2007 para 2008.Para medir a taxa de proteção, os pesquisadores levaram em conta a resposta dos entrevistados à seguinte pergunta: "Quando fica exposto ao sol, por mais de 30 minutos, seja andando na rua, seja no trabalho, seja no lazer, costuma usar alguma proteção?"O estudo considerou como proteção eficaz contra raios ultravioleta "o uso de filtro solar e/ou chapéu/sombrinhas e roupas adequadas".Um dos principais erros dos brasileiros está em achar que proteção solar se resume ao uso do filtro em forma de creme, diz Marcus Maia, professor da Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo e coordenador da última campanha contra câncer de pele da Sociedade Brasileira de Dermatologia."Camiseta de trama mais grossa e cor escura, chapéu e sombrinha é muito interessante e é uma solução para a população", diz o médico.CapitaisEntre as capitais, a que apresentou melhor resultado em relação à taxa de proteção foi Florianópolis.A cidade de São Paulo apareceu em penúltimo lugar no ranking, só perdendo para o Rio de Janeiro. De acordo com a dermatologista Flávia Addor, há uma cultura de tomar sol e de bronzeamento em cidades como Rio que é preocupante. "Os critérios têm que ser vistos com atenção. É preciso tomar menos sol e ter atitude de proteção. O ideal é passar o protetor sempre que sair de casa, ainda mais em cidades ensolaradas."O filtro solar deve ser aplicado em partes expostas ao sol, na proporção de 2 ml para cada centímetro cúbico, o que equivale a cerca de 40 ml de produto em todo o corpo para uma pessoa de 70 kg.O câncer de pele é o tipo de tumor mais incidente no Brasil e está diretamente relacionado à exposição ao sol. Para 2009, o Instituto Nacional de Câncer estima 62.090 novos casos em mulheres e 58.840 em homens.A pesquisa do Ministério da Saúde também revelou que as mulheres se protegem mais do que os homens -52,5% das entrevistadas disseram usar protetor solar e/ou chapéu/sombrinha contra 33,8% deles.Ontem, ao apresentar os resultados da pesquisa, o ministro José Gomes Temporão (Saúde) aconselhou os homens "a ouvirem as mulheres". "Eu diria aos homens o seguinte: escutem as mulheres, copiem as mulheres", afirmou. "Os homens fumam mais, bebem mais, comem alimentação com mais gordura, fazem menos atividade física", completou.A Folha publicou reportagem na última segunda-feira mostrando outros dados do mesmo estudo relativos aos hábitos e à saúde do brasileiro.A pesquisa Vigitel 2008 (Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico) foi realizada por amostragem com cerca de 54 mil pessoas, nas capitais e no Distrito Federal, entre junho e dezembro do ano passado. As entrevistas foram feitas por telefone, sistema parecido com o adotado nos Estados Unidos.

terça-feira, 7 de abril de 2009

Inédito: Sindicato de trabalhadores defende a saúde de seus associados e, não o interesse dos patrões.

Sindicato contraria setor de bares e restaurantes e apoia lei antifumo de Serra colaboração para a Folha Online Os membros da Sinthoresp (sindicato de trabalhadores no setor de bares e restaurantes de São Paulo) comemoraram nesta terça-feira a aprovação na Assembleia Legislativa de São Paulo da lei antifumo proposta pelo governador José Serra (PSDB). Em reunião na tarde de hoje com diretores, a entidade contrariou a maioria dos representantes do setor e decidiu apoiar a lei. A entidade justifica o apoio com a preocupação sobre a saúde tanto de quem fuma quanto dos fumantes passivos. Por meio de sua assessoria, o presidente do sindicato, Francisco Calasans, afirma que "é preciso respeitar trabalhos científicos da medicina que comprovam o mal que o fumo faz".

domingo, 29 de março de 2009

War and Medicine

Um livro fascinante da Wellcome Collection publicado pela BlackDog Publishing: War and Medicine. A edição é primorosa.
Traz artigos sobre várias guerras começando na Criméia indo até a Guerra até o Iraque.
Uma síntese da redução da letalidade (proporção de mortes por feridos) das tropas americanas. Variou de 79% na guerra hispano-americana 1898-99 para 11% na guerra do Iraque.

Estadão: leituras de fim de semana.

O Estadão trouxe nesse fim de semana:
1. uma excelente reportagem seguida por entrevista do diretor-presidente da ANVISA sobre o programa de desconto de medicamentos patrocinado pela indústria farmacêutica. Merece destaque;
2. entrevista com o pesquisador Antonio Carlos Camargo, do Instituto Butantan mostrando a dificuldade em transformar a descoberta científica em produto.

Não publico mais comentários anônimos. É constitucional.

Esse blogue é propriedade particular, quem não gostar, não leia, nem divulgue.
Restrijo comentários indevidos e, há um tempo não publico nada anônimo. Liberdade de expressão tal como manifestada na Carta Magna implica identificação.
TÍTULO II
Dos Direitos e Garantias Fundamentais
CAPÍTULO IDOS DIREITOS E DEVERES INDIVIDUAIS E COLETIVOS Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: IV - é livre a manifestação do pensamento, sendo vedado o anonimato;

sexta-feira, 27 de março de 2009

De novo, a confusão entre internação e incidência de doença

Folha de S.Paulo repercute hoje, mais uma matéria equivocada sobre doença cardiovascular em mulheres. Os dados publicados pelo Hospital Laranjeiras do Rio de Janeiro confunde internações com pessoas internadas. Simplesmente, uma mesma pessoa pode ser internada mais de uma vez pelo mesmo motivo. No caso, pode ser o infarto do miocárdio, depois uma complicação, cirurgia.
Além do viés óbvio que alguns diagnósticos são anotados em preferência a outros pelo fato que a remuneração é maior. Em suma, esquecer.
JULLIANE SILVEIRADA REPORTAGEM LOCAL O número de internações de mulheres por infarto agudo do miocárdio subiu 46% (de 15.672 para 22.910) entre 1997 e 2007, segundo levantamento realizado pelo INC (Instituto Nacional de Cardiologia) nos hospitais conveniados ao Sistema Único de Saúde em todo o país. Os dados foram retirados do Datasus (banco de dados do Ministério da Saúde).De acordo com o trabalho, o tempo de internação é de sete dias, em média, e a taxa de mortalidade em decorrência do ataque cardíaco chega a 16,8%.Segundo dados do Ministério da Saúde, o infarto é a segunda causa de morte entre as brasileiras -a primeira é o AVC (acidente vascular cerebral). (Assinante da Folha, clique aqui)

terça-feira, 24 de março de 2009

Churrasco: nada a declarar

Ontem, nos Archives of Internal Medicine e, não no JAMA foi publicado artigo original mostrando associação entre ingestão de carne vermelha e mortalidade. A associação de um determinado alimento com risco de doença cardiovascular ou câncer necessita ser vista com muito, mas muito cuidado.
Afoitos já tentam desvendar as causas possíveis com ilações sem sentido, para quem não conhece a metodologia complexa de um questionário de frequência alimentar. O Estudo Longitudinal de Saúde do Adulto (ELSA) está aplicando essa metodologia em 15 mil pessoas e, poderemos saber o impacto na população brasileira. Não basta considerar somente o consumo de carne, mas o tipo de carne consumida e, como é preparada. Por isso, mais cautela na leitura rápida de artigos de epidemiologia.
Abaixo, matéria da Folha de S.Paulo sobre o tema.
Reduzir carne vermelha diminui mortalidade Pesquisa publicada no "Jama" acompanhou 500 mil pessoas durante dez anosPara pesquisadores, 11% das mortes em homens e 16% em mulheres poderiam ter sido adiadas com a redução de carne vermelha JULLIANE SILVEIRACLÁUDIA COLLUCCIDA REPORTAGEM LOCAL Um estudo divulgado hoje no "Jama" (revista da Associação Médica Americana) aponta relação entre o consumo de carne vermelha e carnes processadas e maior número de mortes por câncer e problemas cardiovasculares. A pesquisa, uma das maiores já realizadas, analisou dados de 500 mil norte-americanos de 50 a 71 anos de idade.Em dez anos de acompanhamento, morreram 47.976 homens e 23.276 mulheres. Para os pesquisadores, 11% das mortes em homens e 16% das mortes em mulheres poderiam ser adiadas se houvesse redução do consumo de carne vermelha para 9 g do produto a cada 1.000 calorias ingeridas -o grupo que mais ingeriu carne vermelha (68 g a cada 1.000 calorias) foi o que apresentou maior incidência de morte.No caso das doenças cardiovasculares, a diminuição dos riscos chegaria a 21% nas mulheres se houvesse redução. "A carne processada tem mais sal e gordura saturada, o que aumenta chances de doenças cardiovasculares", diz Daniel Magnoni, nutrólogo e cardiologista do Hospital do Coração.Para o cardiologista Marcos Knobel, coordenador da unidade coronária do hospital Albert Einstein, além da gordura da carne, o problema é o preparo e os outros alimentos que são somados à refeição. "Se a pessoa come um bife à milanesa ou um bife com ovo frito, já estourou de longe a cota de colesterol."Além disso, ele alerta para os condimentos. "O sal aumenta o risco de hipertensão arterial sistêmica. Se a carne for processada, é pior porque, além do sódio, geralmente tem óleos para a conservação