terça-feira, 15 de abril de 2008

Speakers: fora de moda nos EUA...

Excelente reportagem do The New York Times mostrando que várias lideranças médicas abandonaram o papel de speakers da indústria. Um bom começo.
With little fanfare, a small number of prominent academic scientists have made a decision that was until recently all but unheard of. They decided to stop accepting payments from food, drug and medical device companies. No longer will they be paid for speaking at meetings or for sitting on advisory boards. They may still work with companies. It is important, they say, for knowledgeable scientists to help companies draw up and interpret studies. But the work will be pro bono. The scientists say their decisions were private and made with mixed emotions. In at least one case, the choice resulted in significant financial sacrifice. While the investigators say they do not want to appear superior to their colleagues, they also express relief. At last, they say, when they offer a heartfelt and scientifically reasoned opinion, no one will silently put an asterisk next to their name. They are part of a group responding to accusations of ethical conflicts inherent in these arrangements, and their decisions repudiate decades of industry influence, says Dr. Jerome P. Kassirer, a professor at the Tufts School of Medicine, who has written a book on conflicts of interest. Five years ago, “nobody paid any attention to taking money from industry,” he said, adding: “They just took it. In some instances, I think people thought they were suckers if they didn’t.”

segunda-feira, 14 de abril de 2008

Extirpação de órgãos em Kosovo?

O comércio de órgãos, principalmente dos rins, tem sido abordado aqui em vários posts. (clique aqui). Hoje, no blog do Alon há menção a extirpação à força de órgãos por guerrilheiros kosovares. A história parece fantasiosa. Porém, a autora - Carla del Ponte - e, o jornal que divulgou a denúncia - El País merecem crédito. O livro sobre o ocorrido foi publicado em italiano em co-autoria com o ex-correspondente do The New York Times.
Abaixo, trecho da reportagem que pode ser lida na íntegra (clique aqui):
En el verano de 1999, entre 100 y 300 prisioneros serbios en manos de la guerrilla del Ejército de Liberación de Kosovo (UÇK, en sus siglas albanesas) fueron llevados en camiones a una casa de Burrel (Albania), con la complicidad del actual primer ministro kosovar y ex líder guerrillero Hashim Thaçi. Una vez allí, se les extirpaban diversos órganos para ser utilizados en el tráfico internacional, hasta que los prisioneros perdían la vida. Tales aseveraciones forman parte del libro La caza. Yo y los criminales de guerra, publicado en italiano por Carla del Ponte, ex fiscal del Tribunal Internacional Penal para la ex Yugoslavia, constituido por el Consejo de Seguridad de la ONU para juzgar los crímenes de aquella guerra. La obra, escrita en colaboración con Chuck Sudetic, ex corresponsal en la zona de The New York Times, se ha publicado esta semana en Milán y ha suscitado inmediatamente la polémica. Del Ponte cuenta en el libro que la oficina dirigida por ella en el Tribunal para Yugoslavia "comenzó a recibir informaciones a lo largo del verano de 1999 sobre unas 300 personas que habrían sido transportadas en camiones cruzando la frontera hacia el norte de Albania (...) A los prisioneros más jóvenes, sanos, fuertes y mejor alimentados se les evitaban los golpes. Eran atendidos por personal médico y posteriormente transferidos a otras estructuras de detención en Burrel. Allí eran alojados en una casa amarilla utilizada como quirófano clandestino donde les extirpaban órganos".

Prescrição mais cara nos Estados Unidos

The New York Times apresenta os novos problemas da assistência farmacêutica nos Estados Unidos, onde as companhias de seguro estão repassando parte do custo aos segurados. Esse problema não existe no Brasil, onde o Sistema Único de Saúde cobre todos esses medicamentos, mesmo prescritos por médicos de convênios, seguradoras ou particulares.
E, ainda há "cara de pau" na imprensa, universidades, associações médicas, empresas farmacêutica criticando o SUS... Abaixo trecho da reportagem (clique aqui para conteúdo completo):
Health insurance companies are rapidly adopting a new pricing system for very expensive drugs, asking patients to pay hundreds and even thousands of dollars for prescriptions for medications that may save their lives or slow the progress of serious diseases. With the new pricing system, insurers abandoned the traditional arrangement that has patients pay a fixed amount, like $10, $20 or $30 for a prescription, no matter what the drug’s actual cost. Instead, they are charging patients a percentage of the cost of certain high-priced drugs, usually 20 to 33 percent, which can amount to thousands of dollars a month. The system means that the burden of expensive health care can now affect insured people, too. No one knows how many patients are affected, but hundreds of drugs are priced this new way. They are used to treat diseases that may be fairly common, including multiple sclerosis, rheumatoid arthritis, hemophilia, hepatitis C and some cancers. There are no cheaper equivalents for these drugs, so patients are forced to pay the price or do without. Insurers say the new system keeps everyone’s premiums down at a time when some of the most innovative and promising new treatments for conditions like cancer and rheumatoid arthritis and multiple sclerosis can cost $100,000 and more a year

domingo, 13 de abril de 2008

Dica de leitura no Estadão: a balela da osteopenia

Nesse domingo, O Estado de S.Paulo reproduz artigo publicado originalmente no The Washington Post de Shannon Brownlee, autora de Overtreated: Why Too Much Medicine Is Making Us Sicker and Poorer. O artigo é uma delícia. A autora ridiculariza os alardes dos especialistas, denuncia mentiras deslavadas e repetidas como "o câncer de mama é o que mais mata mulheres" (são as doenças cardíacas) e, traz um exemplo de "não-doença": a osteopenia. Uma entidade clínica inexistente, mas cuja exploração econômica é das mais rentáveis pela Big Pharma. Claro, que não poderia faltar o "pré-diabetes" e a "pré-hipertensão". Eu incluiria também a "síndrome metabólica".

sábado, 12 de abril de 2008

The Lancet: editorial sobre dengue no Rio de Janeiro

The Lancet aborda tema já aqui apresentado: a importância climática no aumento de casos de dengue (clique aqui) e, em editorial condena os governos brasileiros na três esferas pela epidemia no Rio de Janeiro. Leia abaixo.
International action needed on dengue The statistics on dengue have been getting increasingly alarming over the past few years with 2·5 billion people now living in areas that put them at risk of becoming infected with the virus. Yet the world seems unprepared to tackle this growing global epidemic, as the citizens of Rio De Janeiro know only too well. This year, almost 50000 people in this Brazilian State have been infected with the dengue virus and over 60 people have died. But the death toll is rising and the situation is causing public panic. Treatment of dengue with precise fluid and colloid correction can reduce the mortality rate from 5% to 1%. Such treatment needs to be given swiftly to prevent the devastating clinical consequences of dengue haemorrhagic fever and dengue shock. Yet local hospitals have been unprepared and three military field clinics have been opened to help ease the pressure on overcrowded emergency departments. The outbreak has also triggered an ugly display of finger pointing with President Lula de Silva, the State Governor, the State Minister of Health, and the city's Mayor all blaming each other for mishandling the crisis and for being ill-prepared. The doctors' union in Rio de Janeiro has also announced that it would press charges against the city, state, and federal governments for negligence in the prevention of, and fight against, dengue fever. Such accusations are unhelpful and detract from the effort to control dengue. Environmental experts and infectious disease specialists disagree over the role of climate change in the rise of dengue but everyone seems to agree that urbanisation is a contributing factor. And since 77% of the population of Latin America now lives in urban areas, and over half of the world's population will live in cities by 2050, an increasing number of dengue outbreaks is inevitable unless the international community takes urgent action. There is a pressing need for a comprehensive, coordinated, and cohesive international action plan to help affected countries tackle disease prevention and also to assist in the scale-up of immediate treatment to affected populations when outbreaks occur. The Lancet

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Situação da saúde no Chile: bom exemplo?

Recebi do Karl e, recomendo o seu site " Ecce Medicus": http://eccemedicus.blogspot.com
Copiei a mensagem sobre o sistema de saúde chileno.
Quarta-feira, 9 de Abril de 2008 Solo Epistemológico A Reforma Neoliberal da Saúde no Chile vem sendo elogiada, em especial, pelo Banco Mundial, que se refere a ela como exemplo para outros países. Entretanto, há uma série de críticas quanto a forma como ela vem sendo realizada desde seu início, no governo Pinochet (1973–1989).Este artigo da PlosMedicine analisa as mudanças realizadas e chama atenção para o aumento dos gastos e o financiamento público do sistema privado:

terça-feira, 8 de abril de 2008

Vai mal o "sistema" de saúde americano: todos no pronto-socorro

A reportagem do The Wall Street Journal exagera a chamar de ricos aqueles com renda quatro vezes acima do nível de pobreza nos Estados Unidos. Mas, mostra o quão complicado é a situação da assistência médica naquele país. O acesso a consulta não é simples. A marcação de consulta em consultório é tão complicada quanto no nosso serviço público. A hora marcada não é bem na hora marcada e, por aí vai uma série de problemas no relacionamento médico-paciente que desemboca na procura do pronto-socorro para atendimentos de problemas sem risco de morte. April 8, 2008, 2:52 pmRich,
Not Poor, Are Crowding Emergency Rooms Posted by Jacob Goldstein
This is the conventional wisdom: Priced out of health insurance, ever more Americans are crowding into emergency rooms because they can’t afford a trip to the doctor.Yes, ERs are getting busier. But it’s not because of poor people or the uninsured, according to this analysis in the Annals of Emergency Medicine.The study is based on national surveys conducted between 1996 and 2004. During that time, overall visits to the ER increased by 26% — but a disproportionate share of the growth came from those whose incomes put them at more than four times the poverty level, and who typically get their care at a doctor’s office. The percentage of uninsured ER patients remained flat, at roughly 15%.The researchers did the study because the conventional wisdom didn’t seem to match the on-the-ground experience of ER docs. Instead, they saw a rise in ER traffic across the demographic spectrum, said Jonathan A. Showstack a study author based UCSF’s Institute for Health Policy Studies.“Focusing the political debate and the health-care debate about the overuse and sometimes the ‘abuse’ of emergency departments by the poor and the uninsured is really missing the point,” he told the Health Blog. “It’s based on the wrong assumptions and an incorrect interpretation of what’s really going on.”While expanding health insurance coverage may sound like a big enough issue to tackle, the findings of the study suggest that it wouldn’t do much to slow the influx of patients to emergency departments.Instead, the the authors conclude, “increase in ED use may be attributable to lack of ready access to primary care and other structural problems in the health care system.” Trying to fix those will make the insurance issue look easy.

domingo, 6 de abril de 2008

Ne sutor supra crepidam

Leitores, amigos e jornalistas pedem que opine sobre uma variedade de assuntos, os quais tenho com essses interlocutores o mesmo interesse e conhecimento. Talvez, possa somente indicar alguém com mais lustro e experiência.
Se, comento alguns desses temas é porque compartilho como os leitores, textos esclarecedores. Não sou Caetano Veloso, nem Glauber Rocha e outros da blogosfera que falam sobre tudo. Há muito tempo, um herdeiro de Plínio orientou-me a não ir além das sandálias.

Ensaios Clínicos em Cardiologia: 2008

A reunião anual do American College of Cardiology em março, juntamente com a da American Heart Association em novembro é local privilegiado de divulgação de novos ensais clínicos. Criei uma seção "Ensaios Clínicos em Cardiologia" onde há onze artigos originais com acesso livre ou em alguns casos utilizando o acesso CAPES.

Advertência do Mestre: usina do Rio Madeira

De Luiz Hildebrando Pereira da Silva, médico, parasitologista, professor cassado da Faculdade de Medicina da USP em 1969, pesquisador do Instituto Pasteur no Estadão, hoje:
" Que digam alto por aí o nós daqui estamos anunciando baixinho, preventivamente, em Rondônia sobre epidemias a evitar, nas áreas de impacto das usinas hidrelétricas do Rio Madeira....Trata-se de possíveis epidemias de malária, febre amarela, febre tifóide, hepatites A e gastroenterites, repetindo o drama que aconteceu muitas décadas atrás na construção da Ferrovia Madeira-Mamoré.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

Os hospitais filantrópicos americanos: alguma semelhança?

Abaixo trecho de reportagem do The Wall Street Journal apresentando a situação dos hospitais ditos filantrópicos, cada vez mais ricos, mas com impacto nas isenções fiscais.
Nonprofit Hospitals, Once For the Poor, Strike It Rich By John Carreyrou and Barbara Martinez Word Count: 2,530 Nonprofit hospitals, originally set up to serve the poor, have transformed themselves into profit machines. And as the money rolls in, the large tax breaks they receive are drawing fire. Riding gains from investment portfolios and enjoying the pricing power that came from a decade of mergers, many nonprofit hospitals have seen earnings soar in recent years. The combined net income of the 50 largest nonprofit hospitals jumped nearly eight-fold to $4.27 billion between 2001 and 2006, according to a Wall Street Journal analysis of data from the American Hospital Directory. AHD, an information-service company, compiles data that hospitals report ...

terça-feira, 1 de abril de 2008

Violino ainda desafinado: Stradivarius e o Acomplia

Estou soterrado com inúmeros ensaios clínicos divulgados no ACC-08 , sessão científica que terminará amanhã (quarta-feira) em Chicago. Pelo jeito, somente terminarei a leitura no início do ACC-09!
Um destaque publicado no JAMA com acesso livre para o estudo STRADIVARIUS que tem como objetivo verificar o uso do rimonabant (Acomplia na Europa; registro não autorizado nos EUA pelo FDA e, aprovado pela ANVISA, mas ainda não lançado no Brasil). Esse medicamento era planejado pela empresa para ser um "blockbuster". Houve excesso de propaganga liminar (e, anti-ética), importação do medicamento da Europa etc etc. Mas, médicos brasileiros revelaram que pacientes em uso do medicamento tiveram alteração de humor importante. Nesse estudo, o rimonabant foi efetivo em reduzir peso, circunferência da cintura, glicemia, mas não alterou a luz da artéria coronária. Por outro lado, os participantes que fizeram uso do medicamento apresentaram o dobro de "distúrbios psiquiátricos" do que aqueles que utilizaram placebo.
Few strategies for management of obesity have yielded long-term success. Accordingly, there exists considerable interest in developing new pharmacological approaches to treatment of abdominal obesity and its metabolic consequences. One promising approach is inhibition of the cannabinoid type 1 (CB1) receptors, which are present in both the central nervous system and peripheral tissues. Inhibition of CB1 receptors results in reduced food intake and decreased body weight and produces metabolic effects that include an increase in HDL-C levels and reductions in levels of triglycerides, high-sensitivity C-reactive protein (hsCRP), and glycated hemoglobin (HbA1c) in patients with diabetes.The first CB1 antagonist to reach the market is rimonabant, which is available in several countries but has not yet been approved by the US Food and Drug Administration (FDA). In June 2007, an FDA panel did not recommend approval of rimonabant pending clarification of safety issues, primarily psychiatric adverse effects, including anxiety and depression.

segunda-feira, 31 de março de 2008

Novidades na cardiologia: ACC 2008

Hoje, continua a sessão científica do American College of Cardiology, momento onde há novas revelações importantes. Há alguns anos, as revistas se acertam com os organizadores para lançarem na internet, o artigo referente a uma apresentação de importância.
Estão no The New England Journal of Medicine com acesso livre:
1. comparação dos bloqueadores do receptor de angiotensina com os inibidores de enzima de conversão isolados e, em conjunto (resultado esperado): estudo ONTARGET.
2. tratamento de hipertensão acima de 80 anos (resultado sensacional!!): estudo HYVET.
No JAMA também com acesso livre:
3. comparação da pioglitazona com glimepiride na redução da luz da artéria coronária (há muita água, ou sangue para passar por essa placa aterosclerótica ainda): estudo PERISCOPE.

domingo, 30 de março de 2008

Se tiver paciência, leia sobre um momento infeliz da Big Pharma.

O caso ENHANCE já foi tratado aqui como mais um "fanfarronice" em Big Pharma cada vez mais criativa. Duas empresas patrocinam um estudo com medicação combinada para reduzir o colesterol, não conseguem atingir o alvo pretendido e, publicam um comunicado na internet. Hoje, na reunião científica do American College of Cardiology houve apresentação do ensaio clínico. Clique aqui para entender o ocorrido com a reportagem da HeartWire. Ao mesmo tempo, The New England Journal of Medicine publicou o artigo "original". (acesso livre)

Heparina:19 mortes

Já discuti o problema da heparina vinda da China nos Estados Unidos. Agora, o The New York Times apresenta novos dados sobre o caso que se associa a 19 mortes no país. Na foto ao lado, o tratamento que os intestinos de porcos são submetidos na China. Moyses Nin, editor de Foreign Affairs comenta que houve somente estimulo ao aumento da quantidade de comércia, com pouca ou nenhuma preocupação com a qualidade e segurança dos produtos comercializados.