Levantamento na Câmara aponta que, dos 513 parlamentares, 87 (16,96%) estão ligados a empresas com interesses contrários à regulamentação da publicidade de cerveja, revela reportagem de Angela Pinho e Maria Clara Cabral publicada neste sábado na Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).
A pesquisa, realizada pela Folha a partir de dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), mostra que quase um em cada cinco deputados têm concessões de rádio e televisão e/ou receberam doações de campanha da indústria de bebidas e de comunicação --que em 2006 superou os R$ 2 milhões. Nesta semana, o projeto que restringe a propaganda de bebidas com baixo teor alcoólico, inclusive a cerveja, entre as 6h e as 21h em rádio e televisão, foi retirado da pauta de votações da Câmara, a pedido do governo, após resistência de líderes partidários. Há mais de um mês, representantes da indústria de cerveja e de emissoras de rádio e TV vão ao Congresso quase diariamente para fazer lobby pela derrubada da proposta --bandeira do ministro José Gomes Temporão (Saúde). Outra reportagem publicada na Folha (íntegra disponível para assinantes) revela que representantes das emissoras de televisão admitem ter feito lobby no Congresso para o adiamento da votação do projeto. Os deputados, por sua vez, negam ter sucumbido a interesses econômicos.
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sábado, 10 de maio de 2008
sábado, 12 de maio de 2007
O complexo cervejeiro-publicitário-midiático se arma
Há quase duas décadas que houve a transformação da preferência de bebida alcóolica de aguardente para cerveja. A Pitu, Velho Barreiro, Tatuzinho e 51 foram perdendo mercado para gigantes como Antarctica e Brahma que se fundiram, mas mesmo assim ganharam concorrente com Schin e Kaiser. Desde então passaram a torrar muito dinheiro em todas as mídias possíveis, principalmente na corrupção ativa de artistas, "famosos" e até "pessoas públicas" com os camarotes no carnaval, show de rock, fórmula 1 etc etc. (as festas de lançamento de produtos da Big Pharma -cada vez mais raras - não se comparam à mordomias das cervejeiras) Como se sabe, se por um lado, a fermentação e o álcool acompanham a história do homem desde o surgimento da agricultura, com episódios de embriagues descritos na Bíblia, o uso do álcool necessita ser controlado e desestimulado, não somente com o "beba com moderação". Com certeza controlar a publicidade é fundamental. Mas, será difícil ao Ministério da Saúde enfrentar a avalanche de pressões vinda de todos as empresas jornalísticas, agências de publicidade e das cervejeiras. Mas, não há porque recuar na proposta a ser votada pela ANVISA.
terça-feira, 13 de maio de 2008
Mais um argumento para controle da propaganda de cervejas: o dono do bêbado é o bandido
Por pudor, não declamarei o ditado popular sobre o que acontece com bêbados. Mas, pesquisadores canadenses mostraram com um estudo muito elegante que há risco aumentado em ser vítima de assalto ou briga, aquele que consome álcool. Superior, mesmo ao risco de acidente de trânsito. Uma resenha do artigo pode ser lido no Plos Medicine com acesso livre.
Não podemos esquecer a grande contribuição dos nossos legisladores pró-violência do lobby das cervejeiras. , os mesmos que denunciarão nas campanhas eleitorais, a "leniência da justiça" e "ineficiência da polícia" em conter a violência. Ou, então dos publicitários dândis que faturam os tubos com publicidade de cerveja e, depois inventam "movimentos pela paz" para conter a violência. A hipocrisia sobre o uso de drogas e violência muito bem apresentada em "Tropa de Elite" é a mesma dos nossos legisladores e publicitários do lobby cervejeiro.
quarta-feira, 21 de fevereiro de 2007
Horário de verão: já vai tarde!
Horário de verão acaba no domingo no Sul, Sudeste e Centro-Oeste. Já vai tarde, se é que deveria ter começado. Abaixo reproduzo notícia como sempre oficialesca falando de economia que ninguém de fato sabe ser real. E, a luz acesa durante a manhã?
Sou contra porque altera ritmo biológico e, porque representa uma verdadeira maldade com a maioria da população que acorda cedo. Jornalistas e publicitários acordam tarde, gostam do final de tarde mais claro. Por isso, não se importam ou louvam a medida que aumenta o consumo de cerveja, acredito.
Mas, estudantes, professores, profissionais de hospitais e, o restante dos trabalhadores são forçados a acordar no escuro e, se dirigir aos locais de estudo e trabalho no breu.
Fácil para o jornalista reproduzir o que diz o Ministério, difícil acordar cedo e se dirigir ao terminal Santo Amaro (São Paulo) às 6 horas da manhã para ver os ônibus apinhados de gente que acorda muito cedo.
Informações sobre o ritmo biológico podem ser lido em http://www.icb.usp.br/cronos
Texto de O Globo, 21/02/07
O principal objetivo da alteração do horário é aproveitar melhor a luz natural ao entardecer, diminuindo o gasto de energia. A Agência Brasil informou que a previsão do Ministério de Minas e Energia era reduzir o consumo de 4% a 5% durante o horário de pico, o que representa 2 mil megawatts _o suficiente para abastecer cerca de 2 milhões de casas. Esta é a 36ª edição do horário de verão. Além do Distrito Federal, a medida abrange os estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
quarta-feira, 23 de agosto de 2006
ABRASCO(2): Demografia, a redução da esperança de vida na África do Sul e na Rússia.
Duas apresentações interessantes de dois países que seriam integrantes do chamado G-13( o G-7 mais China, Índia, Brasil, Rússia, México e África do Sul) apresentadas na reunião da ABRASCO (22/08/2006).
África do Sul: o aumento da prevalência de portadores do HIV aumentou de 1-4% em 1984 para 5-9,9% em 1994 e, em 2003 superou a 20%. Fruto do período de transição do país, mas principalmente da política oficial que nega a relação HIV-aids. O perfil de mortalidade do país é igual ao de São Paulo (exceto aids e homícidio), mas em 1900!!! Confiram as dez principais causas de morte: aids 39%; homicídios 7,5%; tuberculose 4,3%; diarréia 4,2%; acidentes 4,1%; doença cerebrovascular 2,7%; doença coronariana 2,5%; causas perinatais 1,7%; desnutrição 1,5%. (dados apresentados por Salim Abouol Karim, da Universidade de Natal).
Rússia: um dos poucos países com encolhimento populacional devido ao aumento da mortalidade com associação nítida com o fim do regime estatal soviético e transição para um novo sistema econômico e social. Um dos fatores importantes foi o aumento das causas de óbito ligados ao abuso de álcool. Um estudo específico de causas de mortalidade entre homens com idades entre 25 e 54 anos na cidade de Izhevsk com delineamento caso-controle entre 1750 parentes de pessoas que morreram e igual número de controles revelou que o uso continuado e excessivo de bebidas alcóolicas foi um fator determinante. Interessante foi a diferença entre os tipos de bebidas considerando a razão de chances de morte(odds ratio) de quem bebia mais de cinco vezes por semana em relação aos abstêmios. Bebedores de cerveja:1,5 vezes; de destilados: 4 vezes; de vinho: 5 vezes e, de bebidas sem registro mas vendidas largamente a preços irrisórios:16 vezes. (dados apresentados por Susannah Tomkins, da London School of Hygiene and Tropical Medicine)
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