quarta-feira, 23 de maio de 2007

Atenção ANVISA: moratória para produtos da China.

Ração para gatos e cães nos Estados Unidos, xarope no Panamá, agora pasta de dente na Republica Dominicana. Todos casos com dietileno glicol originados de produção na China. Abaixo, trecho de reportagem do The New York Times.
China Investigates Contaminated Toothpaste By DAVID BARBOZA and WALT BOGDANICH Published: May 22, 2007 DANYANG, China, May 21 — Chinese authorities are investigating whether two companies from this coastal region exported tainted toothpaste as more contaminated product, including some made for children, has turned up in Latin America.A team of government investigators arrived here Sunday afternoon and closed the factory of the Danyang City Success Household Chemical Company, a small building housing about 30 workers in a nearby village, according to villagers and one factory worker. The government also questioned the manager of another toothpaste maker, Goldcredit International Trading, which is in Wuxi, about an hour’s drive southeast of here. No tainted toothpaste has been found in the United States, but a spokesman for the Food and Drug Administration said yesterday that the agency would be taking “a hard look” at whether to issue an import alert. Authorities in the Dominican Republic said they seized 36,000 tubes of toothpaste suspected of containing diethylene glycol, an industrial solvent and prime ingredient in some antifreeze. Included were tubes of toothpaste marketed for children with bubble gum and strawberry flavors sold under the name of “Mr. Cool Junior.” Toothpaste containing the toxic solvent was also found in Panama and Australia in the last week. Bautista Rojas Gómez, the secretary of health of the Dominican Republic, said the toothpaste, with diethylene glycol listed as an ingredient, was found in stores and warehouses across the country, including near the Haitian border. Diethylene glycol is the same poison that the Panamanian government unwittingly mixed into cold medicine last year, killing at least 100 people. In that case, the poison falsely labeled as glycerin, a harmless syrup, originated in China, shipping records show. Diethylene glycol is generally less expensive than its chemical cousin glycerin. Panamanian authorities said they believed the tainted toothpaste found in their country, containing up to 4.6 percent diethylene glycol, came from China. Executives from both companies under investigation in China denied in interviews on Monday that they had exported any toothpaste containing diethylene glycol to Panama. “We didn’t do this; we didn’t make the bad stuff,” said Shi Lei, a manager at Danyang City Success. “It was probably someone else." But Ms. Shi and other toothpaste makers in this region said that diethylene glycol had been used in toothpaste in China for years and that producers believed it was not very harmful. Government investigators arrived here just days after customs officials in Panama said that they had discovered diethylene glycol in 6,000 tubes of toothpaste. The toothpaste was being sold under the English brand names Mr. Cool and Excel. There have been no reports of deaths tied to toothpaste containing the chemical

Orquídea, beija-flores brasileiros e malária: edição de JAMA

Esse lindo quadro a óleo de Martin Johnson Heade (1819-1904) chama-se Cattleya Orchid and Three Brazilian Hummingbirds, 1871, encontra-se na National Gallery of Art de Washington. Ele está na capa da edição dessa semana do JAMA inteiramente devotada ao tema "malária", uma das doenças mais intrigantes que ainda ceifa muitas vidas.

terça-feira, 22 de maio de 2007

Repercussão do caso Avandia

Finalmente, mais de 24 horas depois de ter tido acesso ao artigo e editorial referente ao risco cardiovascular da Avandia consegui ler ambos. Apesar de não ser fanático por metanálise, o artigo é consistente. O editorial é um verdadeiro torpedo contra o FDA pela aprovação sem critérios mais rígidos. Assisti entrevista com Steve Nissen onde ele afirma que os dados obtidos não eram os melhores (explico abaixo), somente uma síntese publicada e disponível na web. A Glaxo há três anos foi acusada de esconder dados de medicação psiquiátria e, partir daí passou a mostrar todos os estudos referentes aos seus medicos. A origem dos dados desse trabalho vieram daí. Por isso, intriga muito aos editorialistas - e, também a mim - porque a empresa com dados mais fortes (explico abaixo) não os publicou? E, porque o FDA não exigiu que isso fosse feito.
Quanto ao prêmio Zeca Pagodinho, quesito diabetes, vários leitores de blogues americanos concorreram, mas somente brasileiros são elegíveis. Vamos ver os jornais de amanhã. Porém, paro por aqui porque acho que haverá nada mais significativo.
explicação técnica: a melhor forma de calcular risco é saber não somente o número de participantes que sofreram infarto ou morreram, mas também por quanto tempo o fizeram. os dados disponíveis não mostram o tempo de exposição, por isso considerei que Nissen trabalhou com informação mais fraca, o que para ele foi uma força.

O último catedrático: severo e culto

O adeus ao último catedrático de clínica médica da USP e um dos fundadores da cardiologia brasileira que descreveu a doença reumática em nosso país.

A farmacogenômica, CNTBio e o futuro da Big Pharma

O presidente mundial da Eli Lilly em entrevista a IstoÉ Dinheiro abriu o jogo: estamos em outra, adeus commodities, química fina, estamos na biotecnologia. Eu tinha afirmado que essa era uma tendência mais européia do americana, mas a Eli Lilly está de fato mudando mudança.
O uso da farmacogenômica estimulará muito os compostos biológicos e dirigirá o tratamento pelos compostos químicos e, na opinião de vários representará realmente - desculpem o chavão - uma mudança de paradigma.
De certa forma, a Big Pharma será a Big Biotech com os avanços da genômica que permitirão particularizar o tratamento. Por isso, problema no Brasil está na CNTBio com o controle da biotecnologia por ONGs - talvez não tão ingênuas - do que a política de aids do Ministério da Saúde que levou ao licenciamento compulsório do efavirenz.
Ele quer reinventar o remédio. IstoE Dinheiro. por Joaquim Castanheira. Na semana passada, o executivo Sidney Taurel, presidente mundial do Eli Lilly, desembarcou no Brasil. Foi uma visita discreta, praticamente sem compromissos externos, como costuma ocorrer com executivos de alto escalão como ele. "Vim conhecer o passado e falar do futuro", disse ele, em entrevista exclusiva à DINHEIRO. Primeiro, Taurel ouviu em detalhes os resultados da revolução que catapultou a filial brasileira da 30ª para a 15ª posição no ranking do setor farmacêutico nacional. O Lilly vendeu negócios, abandonou medicamentos tradicionais como antibióticos e investiu em produtos inovadores como Ciallis e Ziprexa. No capítulo dedicado ao futuro, Taurel mais falou do que ouviu. E apresentou seu plano daquilo que poderia ser chamado da "reinvenção dos remédios". Nos últimos anos, o Lilly trabalha em um novo modelo de negócios, cujos resultados, em toda sua plenitude, deverão aparecer em 15 a 20 anos. Nesse novo formato, os medicamentos serão desenvolvidos para atacar aspectos específicos de cada doença, e não a enfermidade como um todo. "É a terapia sob medida, a medicação personalizada", afirma Taurel. "Só 20% de nossos negócios trabalham dentro desse conceito." "Os remédios atuais funcionam, em média, para apenas 50% dos pacientes", diz. Para algumas enfermidades, como câncer, esse índice é reduzido, cerca de 20%. Já para excesso de colesterol, sobe para 80%. "Para os demais pacientes, é dinheiro jogado fora", afirma ele. O tratamento revela-se, na melhor das hipóteses, inócuo. Pior: em alguns casos, provoca efeitos colaterais. "Não temos hoje ferramentas para determinar que pacientes serão beneficiados pelo produto", explica Taurel. Por quê? Por dois motivos, completa o presidente da filial brasileira, Gaetano Grupi. Um: a diversidade genética do ser humano. Dois: a ausência de biomarcadores confiáveis. Traduzindo: biomarcadores são substâncias que auxiliam na identificação de enfermidades - o nível de colesterol no sangue, por exemplo. Assim, apenas o uso do medicamento revela quem pode ou não utilizá-lo. "Queremos nos antecipar e definir os beneficiários antes de o produto chegar às farmácias", diz Taurel. " Só 20% de nossos negócios trabalham de acordo com o novo conceito "Sidney Taurel Essa postura muda profundamente a forma de uma empresa desenvolver e comercializar remédios. "Às vezes, vamos nos recusar a vender para alguns pacientes, pois saberemos que não terá utilidade para ele", afirma Taurel. Não, o Lilly não gosta de jogar dinheiro fora. Há por trás desse modelo uma lógica empresarial diferente da atual. O laboratório acredita que, dessa forma, conquistará uma participação de mercado muito superior entre os pacientes que se beneficiarão com aquele remédio."Eles vão preferir nosso produto, já que terão certeza de sua eficácia", diz Grupi. "Assim, enfrentaremos nossos concorrentes." Há um outro dividendo que o Lilly espera contabilizar. "Os médicos terão mais confiança em nós, devido à nossa transparência", aposta Taurel.

Avandia: leia The Wall Street Journal e vote no prêmio Zeca Pagodinho quesito diabetes.

A melhor cobertura sobre o tema encontra-se em jornal especializado em economia pelo motivo simples: a queda nas ações da Glaxo Smith Kline.
O tema Avandia já foi tratado aqui em 16.9.06 analisando o estudo básico para o Avandia. "Dream: o óbvio é comprovado para o diabetes". Nas próximas semanas, médicos que não têm a mínima idéia como organizar uma meta-análise, mas sabem muito bem como agradar uma empresa farmacêutica estarão dando entrevistas, fazendo palestras e outras coisas sobre a "segurança da Avandia". Aguardem a saraivada de intrigas contra Steven Nissen. Uma no blogue do WSJ diz que ele será o commissioner da FDA em um provável governo Hillary Clinton.
Aqui, no Brasil vamos ver quem vencerá o prêmio "Zeca Pagodinho" no quesito diabetes.

O controle da prescrição médica pela indústria farmacêutica.

The Washington Post noticia o problema sério do conhecimento da prescrição médica por parte da indústria farmacêutica. Vários estados americanos estão proibindo tal prática, mas há disputas judiciais importantes. A American Medical Association cuja revista - JAMA - defende princípios rígidos no contato com a indústria, não se envergonha de vender seu cadastro à indústria. Aqui, no Brasil a prática ocorre com a participação das farmácias que ao consta, fazem cópia de receitas. Uma situação a investigar.
Doctors, Legislators Resist Drugmakers' Prying Eyes By Christopher LeeWashington Post Staff WriterTuesday, May 22, 2007; Page A01 Seattle pediatrician Rupin Thakkar's first inkling that the pharmaceutical industry was peering over his shoulder and into his prescription pad came in a letter from a drug representative about the generic drops Thakkar prescribes to treat infectious pinkeye. In the letter, the salesperson wrote that Thakkar was causing his patients to miss more days of school than they would if he put them on Vigamox, a more expensive brand-name medicine made by Alcon Laboratories. The law: Banned the sale or use of data on individual doctors' prescribing choices for marketing and other commercial purposes, while allowing it for research, law enforcement and patient education. The goal was to protect physician privacy and reduce health-care costs. "My initial thought was 'How does she know what I'm prescribing?' " Thakkar said. "It feels intrusive. . . . I just feel strongly that medical encounters need to be private." He is not alone. Many doctors object to drugmakers' common practice of contracting with data-mining companies to track exactly which medicines physicians prescribe and in what quantities -- information marketers and salespeople use to fine-tune their efforts. The industry defends the practice as a way of better educating physicians about new drugs. Now the issue is bubbling up in the political arena. Last year, New Hampshire became the first state to try to curtail the practice, but a federal district judge three weeks ago ruled the law unconstitutional. This year, more than a dozen states have considered similar legislation, according to the National Conference of State Legislatures. They include Arizona, Illinois, Kansas, Maine, Massachusetts, New York, Nevada, Rhode Island, Texas, Vermont and Washington, although the results so far have been limited. Bills are stalled in some states, and in others, such as Maryland and West Virginia, they did not pass at the committee level. The concerns are not merely about privacy. Proponents say using such detailed data for drug marketing serves mainly to influence physicians to prescribe more expensive medicines, not necessarily to provide the best treatment. "We don't like the practice, and we want it to stop," said Jean Silver-Isenstadt, executive director of the National Physicians Alliance, a two-year-old group with 10,000 members, most of them young doctors in training. (Thakkar is on the group's board of directors.) "We think it's a contaminant to the doctor-patient relationship, and it's driving up costs." The American Medical Association, a larger and far more established group, makes millions of dollars each year by helping data-mining companies link prescribing data to individual physicians. It does so by licensing access to the AMA Physician Masterfile, a database containing names, birth dates, educational background, specialties and addresses for more than 800,000 doctors. After complaints from some members, the AMA last year began allowing doctors to "opt out" and shield their individual prescribing information from salespeople, although drug companies can still get it. So far, 7,476 doctors have opted out, AMA officials said.

segunda-feira, 21 de maio de 2007

Título genial: sem comentários.

O Globo de 20 de maio de 2007:
Aborto S/A: um lucrativo negócio que corrompe, rende votos e faz vítimas.

Avandia sob suspeita

The New England Journal of Medicine enviou email, hoje (14:00) aos assinantes indicando a disponibilidade de artigo original mostrando risco maior de evento cardiovascular com a rosiglitazona - Avandia - comercializada pelo Glaxo Smith-Kline. O texto e editorial estão em http://www.nejm.org com acesso livre e a resposta da empresa já foi postada em http://www.gsk.com. Não consegui ler além do abstract, por isso recomendo - como sempre - os textos originais. Abaixo, um resumo da ação da rosiglitazona retirado do UpToDate.
INTRODUCTION — Two classes of oral hypoglycemic drugs improve insulin action: biguanides and thiazolidinediones ). Two thiazolidinediones (rosiglitazone [Avandia] and pioglitazone [Actos]) are currently marketed in the United States. A third, troglitazone (Rezulin), was the first drug in this class to be marketed, but was removed from the market in both the United States and United Kingdom because it caused liver dysfunction and, in some patients, liver failure. The pharmacology and use of thiazolidinediones will be reviewed here. Biguanides (only metformin is currently available) and other oral hypoglycemic drugs are discussed separately. (MECHANISM OF ACTION — The thiazolidinediones increase insulin sensitivity by acting on muscle and liver to increase glucose utilization and decrease glucose production . The mechanism by which the thiazolidinediones exert their effect is not fully understood. They bind to and activate one or more peroxisome proliferator-activated receptor-gamma (PPARs), which regulate gene expression in response to ligand binding. PPAR-gamma is found predominantly in adipose tissue, pancreatic beta-cells, vascular endothelium and macrophages. PPAR-alpha is expressed mostly in liver, heart, skeletal muscle and vascular walls. Fibric acid derivatives (like gemfibrozil and fenofibrate) regulate lipoprotein metabolism by acting as PPAR-alpha agonists. The various thiazolidinediones have differential effects on PPAR-gamma and PPAR-alpha. Troglitazone and rosiglitazone are purely PPAR-gamma agonists, while pioglitazone also exerts some PPAR-alpha effects. This may account for the different effects that pioglitazone and rosiglitazone have on lipids (see below). The concentration of PPAR-gamma is increased in the skeletal muscle of obese and diabetic patients; the raised concentration correlates well with the serum insulin concentration. It appears that the thiazolidinediones improve insulin responsiveness in skeletal muscle in patients with by facilitating glucose transport activity, thereby increasing rates of muscle glycogen synthesis and glucose oxidation. They may improve blood glucose levels both by improving insulin sensitivity and also by preserving pancreatic beta-cell function. If they improve cardiovascular outcomes, as has been suggested, it may be through effects on lipoprotein metabolism and/or by other effects on vascular tissues. The Food and Drug Administration has approved rosiglitazone (2 to 4 mg twice daily) and pioglitazone (15 to 45 mg once daily) for monotherapy or with a sulfonylurea, metformin, or insulin (although there are concerns with combinations of thiazolidinediones and insulin, see below). Several new thiazolidinediones are being investigated as "dual PPAR agonists," with the anticipation that they could effectively treat both hyperglycemia and hyperlipidemia. One dual agent, muraglitazar, received initial FDA approval but data reinterpretation has led to concerns about cardiac safety. Patients who took muraglitazar had an increased incidence of a composite outcome of death, MI, stroke, TIA, or CHF (RR 2.62, 95% CI 1.36-5.05). Further studies monitoring longterm cardiovascular effects are being considered before drug marketing.

Ministro Temporão: hora de brigar em casa

Esse blogue esteve muito oficialista depois da posse do Ministro Temporão. Ele está de parabéns por estabelecer uma agenda de saúde e de gerenciamento da assistência médico-sanitária, como poucos fizeram anteriormente. Brigou com a Igreja Católica, com as agências de publicidade, com as cervejeiras, sindicatos ......Agora, Ministro, com o prestígio adquirido está na hora de enfrentar a equipe econômica e, conseguir os recursos devidos e acabar com o contigenciamento na área da saúde. Além, disso as emendas parlamentares na saúde devem ser regulamentadas.

Da química fina para a biotecnologia: o novo passo da Big Pharma.

Voltando ao caso efavirenz, somente de passagem. Se eu fosse acionista da Merck nos Estados Unidos teria ficado muito chateado com o comportamento da empresa. Por que? a estratégia melhor para a empresa seria uma parceria com o Brasil para produzir o medicamento aqui, licenciado. Com isso teriam ganhos de imagem com a " comunidade aids " mundial bem como em toda a América Latina, além de ganhos financeiros, porque poderiam competir melhor com os indianos. Mas, difícil exigir pensamento estratégico de quem ficou mal acostumado com as benesses do poder do Partido Republicano por um lado, por outro somente pensando no balancete trimestral para auferir bonificações e dividendos das ações da empresa.
Porém, o problema principal de algumas empresas é acreditar que há saída na "química fina", perto do rentável e mais seguro mercado da biotecnologia tal como apresentado na reportagem do The Wall Street Journal (abaixo). Acrescentaria também a importância da farmacogenômica, um caminho que algumas empresas já perceberam como sendo o grande caminho da Big Pharma. Algo me diz que as empresas européias estão mais "antenadas" do que as americanas e, voltarei a discutir a hipótese que a "química fina" será uma commodity.
AstraZeneca CEO DrivesPlan for Biological Drugs By JEANNE WHALENMay 21, 2007 For years, British drug maker AstraZeneca PLC concentrated on developing what much of the rest of Big Pharma was toiling over: so-called small-molecule drugs made from chemical compounds. Now, under Chief Executive David Brennan, the British pharmaceuticals giant is making a big bet on "large-molecule" drugs, also widely known as biological drugs. Made from genetically engineered versions of human proteins, the drugs' active ingredients are hundreds of times larger than compounds found in most chemical pills. Biological drugs have been some of the most innovative, and lucrative, drugs to hit the market in recent years. In the U.S., sales have increased to $50.7 billion in 2005 from $8 billion in 1992, according to the Biotechnology Industry Organization, a trade group. And unlike chemical drugs, biological treatments usually don't face generic competition because manufacturing and regulatory hurdles make them difficult to copy. A four-year drive to boost biological-drug research at AstraZeneca accelerated under Mr. Brennan, who took over as CEO in January 2006 and has turned to acquisitions to reach that goal. Last month, Mr. Brennan scooped up a biological-drug trailblazer, MedImmune Inc., Gaithersburg, Maryland, for $15.6 billion. Other Big-Pharma companies have taken a similar approach. Pfizer Inc. has acquired several biological-focused companies in recent years, and Novartis AG and Sanofi-Aventis SA are aiming to boost the number of biological drugs in their development pipelines. Mr. Brennan said he's been impressed with a slew of new biological drugs that smaller biotechnology companies have been churning out in recent years, including drugs for cancer and arthritis. "Some of these products have demonstrated that they're not just symptomatic treatments but that they actually alter the course of the disease," he said in a recent interview in London. AstraZeneca badly needs new products. Several of its top-selling drugs are facing generic competition, and the company has sustained some setbacks in developing new medicines in recent years. AstraZeneca's sales last year rose 11% to $26.8 billion, while profit rose 29% to $6.04 billion. But analysts say earnings will come under pressure in coming years unless AstraZeneca improves its development of new drugs. To go after biological drugs, AstraZeneca faces some big cultural challenges. Because large-molecule drug research is relatively new, it has been dominated by small firms that pounced on the science early. Many of the best scientists in the field are accustomed to working in entrepreneurial environments. To recruit and retain them, AstraZeneca may need to provide them a similar atmosphere. Mr. Brennan will need to meld the entrepreneurial staff of 2,500 at MedImmune into AstraZeneca, which has 66,000 employees and 16 research sites around the world. AstraZeneca is offering MedImmune scientists a bonus if they agree to stay with AstraZeneca for a year or more. MedImmune's chief executive, David Mott, will run AstraZeneca's biologicials unit, which will also include Cambridge Antibody Technology, another biotech company known as CAT that AstraZeneca acquired for $1.1 billion last year. Mr. Brennan said he wants to give MedImmune researchers as much autonomy as possible inside AstraZeneca. "There are certain areas where we'll come together and others where it's very appropriate to keep the biologicals organization running very separately," he said.

domingo, 20 de maio de 2007

Michael Moore, Financial Times, Bernard-Henri Lévy

Valor Econômico (18/05/07) reproduziu matéria do Financial Times, onde há uma comparação boa das propostas de planos de saúde americanas com os sistemas reais existentes na Europa. O articulista critica a visão idealizada dos sistemas europeus, mas não nega a sua estupefação com o fato que os Estados Unidos combinam custo elevado com cobertura restrita. Ao mesmo tempo, no festival de Cannes, Michael Moore lança mais um filme, "SiCKO" descrito no despacho da Reuters abaixo. Já gostei de Moore, quando lançou o programa The Awful Truth e o filme Roger and I. Mas, confesso que cansei desse estilo. Principalmente, porque ele joga água no moinho da religião mais poderosa dos dias atuais: o antiamericanismo. A definição dessa religião foi de Bernard- Henri Lévy, em entrevista na Globo News (vídeo será liberado no site somente dia 21/05/06), nesse sábado. Lévy considera que a era Bush é somente um momento de reação, ao movimento constante de democratização. Ele defende a idéia que o antiamericanismo é em essência uma manifestação antidemocrática. De fato, não vi até agora, nenhum governo crítico dos Estados Unidos que pudesse dar lição de democracia e direitos humanos.
Em viagem recente àquele país, pude percorrer (browsing the shelves ) as excelentes e onipresentes livrarias Barnes and Nobles e Borders onde pude verificar que quantidade de livros críticos de todos os aspectos da cultura e da economia americana continua, mesmo na fase do Patriot Act. Por falar, em sistema de saúde, não faltam livros dirigidos a esse tema, principalmente aqueles questionando a Big Pharma.
CANNES, France (Reuters) - Director Michael Moore says the U.S. health care system is driven by greed in his new documentary "SiCKO", and asks of Americans in general, "Where is our soul?" He also said he could go to jail for taking a group of volunteers suffering ill health after helping in the September 11, 2001 rescue efforts on an unauthorized trip to Cuba, where they received exemplary treatment at virtually no cost. The controversial film maker is back in Cannes, where he won the film festival's highest honor in 2004 with his anti-Bush polemic "Fahrenheit 9/11". In "SiCKO" he turns his attention to health, asking why 50 million Americans, 9 million of them children, live without cover, while those that are insured are often driven to poverty by spiraling costs or wrongly refused treatment at all. But the movie, which has taken Cannes by storm, goes further by portraying a country where the government is more interested in personal profit and protecting big business than caring for its citizens, many of whom cannot afford health insurance. "I'm trying to explore bigger ideas and bigger issues, and in this case the bigger issue in this film is who are we as a people?" Moore told reporters after a press screening. "Why do we behave the way we behave? What has become of us? Where is our soul?" "SiCKO" uses humor and tragic personal stories to get the point across, and had a packed audience variously laughing and in tears. There was loud applause at the end of the two-hour documentary, which is out of the main Cannes competition.

sábado, 19 de maio de 2007

Pacto pela Vida em Pernambuco

Valor Econômico (18/05/07) apresenta entrevista com o professor José Luiz Ratton, da Universidade Federal de Pernambuco, indicado pelo governo do mesmo estado para idealizar um programa de combate à violência no estado com as taxas mais elevadas de homicídios. Apesar as taxas elevadas, já se assiste a uma queda lenta das mortes por agressão. O programa de combate a violência é o Pacto pela Vida. Ratton não faz o discurso padrão da esquerda humanista - pobreza, desigualdade, criminalização da polícia - ao contrário procura estabelecer diagnósticos seguidos de propostas, além de aliar uma boa base política com proposta gerencial para a polícia. Finalmente, algo novo, mas óbvio nessa área.
Aliás, por falar em violência, porque ninguém fala do aumento de homicídios em Minas Gerais, principalmente em Belo Horizonte?

Veja: venda de rins no Brasil

Veja denuncia a venda de rins no Brasil com anúncios na internet de potenciais vendedores de órgão, mais comum, rins. A prática de venda é comum na Ásia. Apesar da reportagem, a comprovação dessa prática ainda não ocorreu, aliás um ilícito que somente pode ocorrer com conivência médica. Abaixo, trecho da reportagem, o restante em http://www.veja.com.br para assinantes.
Existem 32 000 pessoas esperando por um transplante de rim hoje no Brasil. É uma longa fila, que demora entre três e dez anos para ser vencida. Quem encara essa espera são doentes renais que não têm nenhum parente ou amigo com órgão compatível e disposto a doá-lo. Essa dificuldade vem estimulando o comércio de órgãos, que encontrou, na internet, um caminho aberto para as negociações. Os rins são oferecidos, em média, por 80 000 reais. Mas há quem arrisque pedir até 500 000 reais. O comércio, embora proibido por lei, é uma solução tentadora para os doentes em situação de desespero, cujo tempo de vida está se esgotando. Com um doador particular, ele não precisa esperar na fila e pode receber o órgão imediatamente, se os testes indicarem que existe compatibilidade. O passo seguinte é buscar a autorização judicial, obrigatória no caso de transplantes entre não parentes. Para concretizar a operação, basta que doador e receptor se declarem amigos perante o juiz. Como a fiscalização é falha, dificilmente se consegue desvendar a mentira. O indício do avanço desse comércio está nos dados da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos. Nos últimos quatro anos, a doação entre parentes se manteve estável, na faixa de 1.500 por ano. A doação entre cônjuges caiu de 148, em 2002, para 121, em 2006. E, no mesmo período, a doação entre amigos aumentou de setenta para 114 ao ano

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Sobre o licenciamento compulsório

Na página de opinião de Valor Econômico, uma excelente e bem argumentada versão do licenciamento compulsório por dois dirigentes do Ministério da Saúde, Reinaldo Guimarães e Gerson Penna. Os autores rebatem todos os argumentos apresentados contra a medida do Ministério da Saúde.