Na série "Medicina do Viajante" (14 tópicos relacionados ao lado) adicionam-se mais dois textos publicados no How Stuff Works do Brasil: "acidentes com serpentes" e "acidentes com relâmpagos". Esse verão tem sido propício a acidentes graves e a mortes por relâmpagos. Até 21 de fevereiro de 2008, houve 22 mortes por raios nos primeiros 50 dias de 2008 em oposição a 46 vítimas em todo o ano anterior (2007), sugerindo um aumento do número de acidentes. A maior parte dos acidentes se concentra no Estado de São Paulo. sábado, 22 de março de 2008
Medicina do Viajante: acidentes por serpentes e por raios.
Na série "Medicina do Viajante" (14 tópicos relacionados ao lado) adicionam-se mais dois textos publicados no How Stuff Works do Brasil: "acidentes com serpentes" e "acidentes com relâmpagos". Esse verão tem sido propício a acidentes graves e a mortes por relâmpagos. Até 21 de fevereiro de 2008, houve 22 mortes por raios nos primeiros 50 dias de 2008 em oposição a 46 vítimas em todo o ano anterior (2007), sugerindo um aumento do número de acidentes. A maior parte dos acidentes se concentra no Estado de São Paulo. A formação médica em Boston e São Paulo.
Abaixo do blogue do Boston Globe, a proporção de vagas para residência em áreas básicas: medicina de família, clínica médica, obstetrícia e ginecologia e pediatria nos hospitais de Boston, o centro nevrálgico da medicina ultra-especializada mundial. Vou verificar a proporção no Brasil, mas na Faculdade de Medicina da USP, 44% das vagas de ingressantes são para essas especialidades. Isso não significará, nem em Boston, nem em São Paulo, que todos terminarão como "generalistas". A maioria irá para especialidades e subespecialidades.
By Elizabeth Cooney, Globe Correspondent
Fourth-year medical students discovered today where they will spend the next stage of their medical training. This year the Match Day formula sorted more than 15,000 US medical school seniors into programs at teaching hospitals. There was a small uptick in family medicine choices nationwide, coming at a time when primary care doctors are in short supply. At the four medical schools in Massachusetts, primary care specialties -- family medicine, internal medicine, obstetrics/gynecology, and pediatrics -- drew almost half the soon-to-be MDs graduating from the three schools in Boston. At University of Massachusetts Medical School in Worcester, the tally was higher, consistent with its mission focusing on primary care. Both levels are similar to previous years. -- Boston University School of Medicine: 46 percent-- Harvard Medical School: 44 percent -- Tufts University School of Medicine: 46 percent -- University of Massachusetts Medical School: 60 percent
sexta-feira, 21 de março de 2008
Mestiçagem na América Latina
PLOS Genetics traz artigo discutindo o padrão genético de populações mestiças na América Latina. O Brasil foi representado somente pelo Rio Grande do Sul.
The large and diverse population of Latin America is potentially a powerful resource for elucidating the genetic basis of complex traits through admixture mapping. However, no genome-wide characterization of admixture across Latin America has yet been attempted. Here, we report an analysis of admixture in thirteen Mestizo populations (i.e. in regions of mainly European and Native settlement) from seven countries in Latin America based on data for 678 autosomal and 29 X-chromosome microsatellites. We found extensive variation in Native American and European ancestry (and generally low levels of African ancestry) among populations and individuals, and evidence that admixture across Latin America has often involved predominantly European men and both Native and African women. An admixture analysis allowing for Native American population subdivision revealed a differentiation of the Native American ancestry amongst Mestizos. This observation is consistent with the genetic structure of pre-Columbian populations and with admixture having involved Natives from the area where the Mestizo examined are located. Our findings agree with available information on the demographic history of Latin America and have a number of implications for the design of association studies in population from the region.
O crime em negar vacina a crianças
The New York Times traz reportagem sobre a tendência cada vez maior de pais recusarem vacina a seus filhos. Os motivos são os mais variados, mas todos calcados na ignorância com ar de sabedoria extrema. Todo pediatra brasileiro tem uma história triste de crianças mortas por sarampo ou meningite que poderiam estar vacinadas, mas cujos pais eram adaptos de alguma seita alternativa ou foram iludidos por médicos irresponsáveis.
Clínica & Epidemiologia: o mito da síndrome metabólica
Em "Clinica & Epidemiologia" reproduzo o debate disponível no British Medical Journal sobre a assim chamada síndrome metabólica. O histórico da questão diabetes e obesidade encontra-se publicado em outro texto meu: The "common soil" theory: diabetes, coronary heart disease and inflammation.
Minha opinião: a síndrome metabólica teve interesse nos anos 90 porque chegaríamos a um marcador comum para todos os fatores de risco: hipertensão, diabetes e dislipidemia. O que se conseguiu foi um membro da Big Pharma lançar medicamento "teoricamente" dirigido à sindrome metabólica. Mas, esse medicamento não tem qualquer comprovação de segurança em uso continuado, tanto que não foi aprovado nos EUA. Aqui, ainda não foi lançado, apesar da pressa da ANVISA em aprová-lo.
Para o clínicos, a síndrome metabólica traz confusão, para as ações preventivas, despreza o tabagismo, para os pacientes, também confusão. Afinal, confiar em "doença" ou "fator de risco" que tem seis definições!!
La Ninã e El Niño: explicam a dengue?
O Aedes é municipal, estadual ou federal? Em quem bater: César Maia ou Temporão? Esse é o vai e vém dessa epidemia que consegue transtornar o serviço de atendimento de uma grande cidade, como ocorreu em São Paulo há um ano. No entanto, há um debate feroz sobre o determinante maior entre infectologistas e cientistas do ambiente. Para esses, últimos o aumento da temperatura na região explica o avança para o México e na região fronteiriça dos Estados Unidos (que tem casos no Havaí). Leia mais no The Lancet em artigo de acesso livre. (mas, necessita registro de entrada).
segunda-feira, 17 de março de 2008
sábado, 15 de março de 2008
A epidemiologia explicando a economia: ou o "fato social" de Durkheim e o fim da CPMF.
Como The Economist resolveu discutir a epidemiologia da aids no Brasil. Sinto-me confortável em discutir economia e sociologia.
Não me lembro de estar em São Paulo, em janeiro, com tanto movimento e agitação. Nem o período de carnaval "segurou" a cidade. Em março, o movimento está muito maior do que o habitual. Hoje, noticia-se que as compras aumentaram em janeiro em relação a dezembro, fato inédito. Ou seja, minha impressão é fato . Economistas não sabem explicar. Fico tentado a apresentar uma hipótese: o fim da CPMF. Um indivíduo que recebe 2000 mil reais se gastasse todo o salário de imediato pagaria "somente" R$ 7,60 da CPMF. Como ele, deixou de recolher essa quantia, gastou também esse valor. Ou seja, ao invés de recolher a Brasília, ele deixou na sua cidade. Milhões fizeram o mesmo. Esse recurso multiplicou-se na economia real. O indivíduo não percebeu o ganho, mas o impacto social é grande.
A epidemiologia demonstrou que reduzir em 2mm de mercúrio a média populacional da pressão arterial reduzirá em 10% as mortes por doença cerebrovascular. Notem que 2 mm não é a unidade de medida no aparelhos tradicionais, por isso imperceptível ao indivíduo, mas com impacto populacional.
Ou, como definiu Durkheim, o fato social: que é geral na extensão de uma sociedade dada, apresentando uma existência própria, independente das manifestações individuais que possa ter."
sexta-feira, 14 de março de 2008
Transplantes de órgãos:os pobres de países pobres
Abaixo, mais um relato de uma situação que se estenderá nas próximas décadas: ricos comprando órgãos de pobres em países pobres. Pai vende parte do fígado para custear tratamento de câncer do filho, isto ocorreu no Cairo, Egito. A notícia é do Los Angeles Times, a síntese do blogueiro do The Wall Street Journal. Outros post sobre o comércio de órgãos, situação do transplante no Brasil e sobre a doença renal crônica podem ser lido clicando aqui.
More scenes from the global black market in organs.
In Cairo, the 4-year-old son of a bus driver needs surgery for cancer. The bus driver sells part of his liver on the black market to pay for the procedure. The boy dies. But the bus driver has a new job: black-market organ broker. “I sold part of my liver to save my son,” Mustafa Hamed tells the Los Angeles Times. “But some people who come to me aren’t that desperate. They could find other solutions. Many men I see now want to sell their organs so they can afford to buy an apartment to get married. That doesn’t seem desperate enough to me. I try to tell them: ‘Be patient. You don’t need to do this.’ ” This is what happens when medical technology allows for lifesaving transplants and organ donors are in short supply. The underlying themes are the same around the world — poverty and wealth, life and death — but the story takes on different tones in different countries. In Egypt, geography and religion are drivers. Wealthy residents of oil-rich Persian Gulf countries come to Cairo in need of organs, Mohamed Queita, a legislator who has been trying for years to regulate transplants, tells the LAT. But Queita’s efforts have been slowed by Islamic clerics who argue that transplanting organs, even from brain-dead patients, is forbidden. Religious teachings can cut both ways, though. Looking back to his own operation, when he sold a piece of his liver, Hamed says: “Even if something bad had happened to me during the operation, I would not have minded as long as the objective was to rescue my son. If one dies for the sake of his son, he gets rewarded by God.”
quinta-feira, 13 de março de 2008
The Economist: uma visão da aids no Brasil.
The Economist dessa semana publicou reportagem no Brasil mostrando que a aids avança no interior e, entre as mulheres. A aids "vai" para o interior, os homicídios também "foram". Ora, a economia também foi para o interior e, parte da população lá se fixou. Nada estranho. Importante ressaltar que a taxa de prevalência no Brasil é baixa, 0,6% como ressalta a revista, isto porque o programa de tratamento é tão efetivo que mantém os infectados vivos. Ao contrário, de outros países.A portrait in red Mar 13th 2008 SÃO PAULO From The Economist print edition
One of the world's most successful AIDS programmes faces new problems
BRAZIL'S government is accustomed to being lampooned for being wasteful, ineffectual and corrupt. Occasionally, though, it does something really well. Keeping HIV/AIDS under control in a country where sex rivals football as the national sport is an impressive achievement, and over the past 20 years the government has done just that. Now, however, the disease has spread across Brazil (see maps). Although the total number of cases remains low at 620,000, representing 0.6% of those aged 15-49, the change in the profile of sufferers is taking the fight to places where it will be much harder to win. “The epidemic has now taken the contours of the general population,” says Mariângela Simão, who runs the federal government's AIDS programme in Brasília, the capital. “It has become a portrait of Brazil.” Brazil's epidemic began life among gay men in the south-east of the country, probably after travelling south from the United States rather than west from Africa. Had the virus not affected some white men living in the country's most prosperous region, the response might have been less energetic, some suggest under their breath. Thankfully, it was energetic, and it has taken three forms. First, there has always been an insistence on the need to wear condoms, particularly at carnival time (when the usual supply of free prophylactics increases by 40%). The World Bank recently helped the government to buy a billion condoms (for 190m inhabitants)—around a tenth of the world's total supply. It took a year to find factories with sufficient capacity and the right quality controls to fill the order. Second, the government funds free treatment for anyone with AIDS. This has involved side-stepping patents on anti-retroviral drugs to keep the bill down. Brazil saved an estimated $30m last year through the compulsory licensing of Efavirenz, a drug developed by Merck. But this strategy has its limits: the launch onto the market of one new drug has been delayed despite undergoing some clinical trials in Brazil. Third, NGOs have been good at publicising the cause and at holding federal and local governments to their promises. This is particularly important in the north and north-east of the country where the disease is spreading fastest, and where some politicians have a semi-feudal relationship with voters. Cristina Pimenta, head of the Brazilian Interdisciplinary AIDS Association, says that NGOs are also now focused on making sure women know about the disease, get tested and, if necessary, get treated. During this year's carnival in Pernambuco, a poor state in the north-east, a government campaign was aimed almost exclusively at women. (restante clique aqui).
Farmacêuticos e Doenças Crônicas: um bom debate
Uma proposta polêmica que está na agenda da ANVISA, mas que deve e necessita ser avaliada com o cuidado devido: farmacêuticos no controle de doenças crônicas. Podem ser um braço da Big Pharma ou um poderoso agente de saúde pública. Abaixo, post do The Wall Street Journal sobre diabetes e o acompanhamento em farmácias americanas.
Diabetes care is a poster child for much of what’s wrong with our health-care system, which is good at handling acute crises but bad at preventing them. Pharmacists are angling to step into the breach and improve preventive care for diabetics.
In a project described in the March/April Journal of the American Pharmacists Association, employers in 10 U.S. cities agreed to waive copays for employees’ diabetes meds, and to fund regular meetings between pharmacists and diabetic employees. A year after the project launched, 914 patients who had been enrolled for at least three months saw their hemoglobin A1C, a key measure of health for diabetics, fall on average to 7.2% from 7.6%, a significant improvement.
“The pharmacist is really helping people stay on track, just like a coach would for whatever skill you want to choose,” said William Ellis, CEO of the American Pharmacists Association foundation.
Patients typically meet with pharmacists once every few months, Ellis said. Costs vary, but a 30-minute session usually runs somewhere between $60 and $90, Ellis said. GlaxoSmithKline paid for the foundation to conduct the study.
A similar project in Asheville, N.C., a few years back suggested that employers save money in the long run, because improving diabetics’ health on the front end cuts the rate of expensive hospital procedures that are more common when diabetes is poorly controlled.
Ellis said an economic analysis of the 10-city project is expected later this year.
quarta-feira, 12 de março de 2008
Um testemunho da tuberculose na Índia
Vikram Paralkar é um médico indiano que realiza estágio como médico residente na Filadélfia, Estados Unidos. Citando Keats e, depois Thomas Mann, ele redigiu um texto na primeira pessoa que é simplesmente fantástico mostrando a situação indiana. Ele traz ao ambiente médico, a descrição, o testemunho, uma das bases da clínica e da epidemiologia. O texto foi publicado no The New England Journal of Medicine com acesso livre.Tuberculose avança na África.
The New England Journal of Medicine destaca o aumento dos casos de tuberculose na África em decorrência da aids. A única boa notícia seria a possibilidade que melhorou a notificação dos serviços de vigilância epidemiológica. Mas, a infecção com o HIV e as péssimas condições dos serviços de saúde, agravado pelo êxodo de profissionais propiciou o aumento descrito na figura.
Integração docente assistencial: a USP e o SUS
Lourdes de Freitas Carvalho, in memoriam
Morreu ontem, 11 de março de 2008, a Professora Lourdes de Freitas Carvalho, de quem sou o quarto sucessor na superintendência do Hospital Universitário. Abaixo, despacho da Agência Fapesp.
12/03/2008 Agência FAPESP – Faleceu na segunda-feira (10/3), aos 93 anos, a professora aposentada Lourdes de Freitas Carvalho, do Departamento de Prática de Saúde Pública e ex-diretora da Faculdade de Saúde Pública (FSP) da Universidade de São Paulo.
Entre 1980 e 1986, Lourdes também foi superintendente do Hospital Universitário (HU) da USP. Ela tinha pneumonia causada por fibrose pulmonar. O corpo foi velado na FSP e enterrado, na terça-feira (11/3), no Cemitério São Paulo.
Lourdes se formou em medicina na Faculdade de Medicina da USP e, em 1943, quando trabalhava no Hospital das Clínicas (HC), foi aos Estados Unidos, com bolsa de estudos da Fundação Rockefeller, para adquirir conhecimentos sobre o Serviço de Arquivo Médico e Estatística (Same), tendo, em seguida, aplicado esses conhecimentos no próprio HC.
Seus ensinamentos sobre o Same, que tem por finalidade a guarda e preservação do prontuário médico, incluindo dados pessoais, evolução clínica e exames, foram, durante muitos anos, a única referência para todos os que se interessavam pelo assunto. Do Hospital das Clínicas, o Same foi disseminado por todo o Brasil e, atualmente, é utilizado pelos serviços de estatística de diferentes hospitais do país. Em 1951, juntamente com os professores Odair Pacheco Pedroso e José Gabriel Borba, Lourdes foi responsável pela criação do curso de especialização em Organização e Administração Hospitalar na FSP/USP. Obteve, em 1973, o título de professora titular da FSP e, de 1982 a 1986, exerceu o cargo de diretora da faculdade. Foi ainda diretora da Clínica Ortopédica e Traumatológica do HC e superintendente da Irmandade da Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Ainda ao lado do professor Odair Pedroso, criou o Hospital de Cotia, hoje Hospital Dr. Odair Pacheco Pedroso, do qual foi diretora durante 20 anos.
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