quarta-feira, 8 de agosto de 2007

Avandia, o voto vencido na reunião do FDA.

Clifford Rosen, endocrinologista que dirigiu a comissão do FDA que manteve a comercialização do Avandia nos Estados Unidos foi voto vencido na reunião de 30 de julho. Hoje, no The New England Journal of Medicine ele apresenta as razões do seu voto. (clique aqui, acesso livre) O artigo é simples e de fácil compreensão por não médicos ou epidemiologistas. Em suma, o FDA considera que o importante é reduzir a glicemia, mesmo que o diabético tenha um infarto do miocárdio.
Meu mestre, Virgílio Gonçalves Pereira, um clínico fantástico, adorava afirmar que alguns médicos preferiam assinar atestado de óbito de um paciente com exames normalizados, a dar alta com exames alterados.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

Redução de homicídios não é resolução da criminalidade?

Na Folha de S.Paulo de hoje há mais um artigo daqueles que negam que houve melhora em indicadores de violência, como a taxa de homicídios.
Vejam, parte do texto de Marcos Nobre
Entre 1995 e 2007, em valores aproximados, o número de presos subiu de 68 mil para 320 mil. Nesse mesmo período, o número de encarcerados por 100 mil habitantes saltou de 74 para 183. Isso mostra que a resposta habitual -penas mais severas e mais longas-não conseguiu até agora resolver o problema.
Ele omitiu que ocorreram 12.320 homicídios em 1996 no Estado que foram reduzidos a 8.732 em 2005. Em números relativos (por 100 mil), a queda foi de 35 para 22. Uma queda de 37%.
Gostaria de comentar mais sobre o texto publicado, mas prefiro ficar por aqui, afinal sou um positivista que considero que o combate à criminalidade passa pelo combate ao criminoso. Uma heresia na ciência social brasileira, onde combater a criminalidade implica financiar ONGs que discutem e analisam a violência.

Ao amigo de infância de Dercy Gonçalves: quero ver a foto com 100 velinhas!

O artigo do Diário de S.Paulo (06/08/07) afirma que Dercy Gonçalves (102) está usando o seu prestígio para que o conterrâneo e amigo de infância Manoel Teixeira Bastos (99) seja submetido a cirurgia de fratura de fêmur. Apesar do pitoresco que sempre envolve a veteraníssima atriz, a sua ação é legítima e, em nada a desabona. Ao seu Manoel, o desejo que possa assoprar as cem velas em novembro. E, a Sérgio Cortes -secretário de saúde do Rio de Janeiro e a todos os demais gestores do sistema único de saúde (e, da saúde suplementar) o dilema que sempre cerca esses casos.
Hoje, JAMA publica analise de custo-benefício da detecção de osteoporose e tratamento em homens. O acesso é gratuito, clique aqui.

segunda-feira, 6 de agosto de 2007

A covardia ao alcance de todos: médico agredido.

Minha solidariedade ao colega Ildemar, o querido Zuzu dos tempos de Faculdade. Para quem não o conhece, Ildemar de tão franzino era o "patrão" da equipe de canoagem. Vejam a situação: um senhor de 82 anos já internado na UTI morre, mas um genro e neto resolvem agredir a um médico que nem tinha relação com o atendimento. Alguém, talvez poderia justificar uma agressão por impulsão, se um filho de 3 anos morresse por não atendimento. Mas, trata-se de mais um caso de prepotência apoiada na impunidade vigente. A Prefeitura de São José dos Campos deve ser responsabilizada, caso contrário não haverá médico que queira trabalhar nas suas unidades. Pergunto se haverá a mesma grita que ocorrida quando da covarde agressão à empregada doméstica no Rio de Janeiro por outros cinco cafajestes?
06/08/2007 - 22h03 "Me sinto humilhado", diz médico agredido no interior de SP da Folha Online O médico Ildemar Cavalcante Guedes, 55, foi agredido por dois familiares de um paciente que morreu no plantão do Hospital de Clínicas Sul, em São José dos Campos, na madrugada deste sábado (4). Segundo o médico, o paciente, com 82 anos, sofreu falência múltipla de órgãos e morreu às 0h45. Os parentes foram avisados por um enfermeiro e ficaram revoltados. "O genro do paciente veio para cima de mim e me deu um murro. Foi uma agressão gratuita. Eu nem havia atendido o sogro dele. Ele bateu na primeira pessoa que viu com estetoscópio pendurado no pescoço", contou Guedes à Folha Online. Neste momento, um neto do paciente saltou sobre o balcão e juntou-se ao pai para espancar o médico. "Levei a pior, porque eram duas pessoas me socando ao mesmo tempo. Depois que outros funcionários apartaram a briga, os parentes fugiram", afirma. "Me sinto humilhado" Guedes reconhece os motivos que levam às agressões. "As pessoas estão revoltadas com o sistema. É avião caindo, é senador corrupto, é educação ruim, é falta de segurança... Tudo isso faz as pessoas guardarem uma insatisfação crescente. Quando encontram um representante do poder público, vão para cima, mesmo que seja alguém que está na mesma situação dele. Eu não tenho poder de mando, sou só um soldado raso", conta. A compreensão, contudo, não o fez esquecer da violência. "Nada justifica uma agressão gratuita, até porque o paciente havia sido bem atendido", conta o médico, que registrou boletim de ocorrência por agressão no 2º DP e pretende processar os agressores na área cível, por danos morais. "Até agora eu me sinto humilhado, com raiva", desabafa. Trabalhando há 26 anos na prefeitura, Guedes afirma nunca ter passado por agressão semelhante, mas diz que as agressões contra colegas tornaram-se comuns nos hospitais públicos. "Já houve um parente quebrou a mandíbula de um enfermeiro", relembra. De acordo com o médico, o problema piorou nos últimos meses, depois que a prefeitura passou a tirar os guardas civis municipais das unidades de saúde. "A prefeitura está negligenciando a segurança", reclama. No hospital onde foi agredido, segundo o médico, três guardas faziam a segurança, mas hoje há apenas um, que fica a maior parte do tempo no estacionamento, para evitar furtos nos carros. A secretária de imprensa do Sindicato dos Trabalhadores no Serviço Público Municipal, Elizabeth Carlos da Motta, diz que médicos e enfermeiros sofrem com ameaças e agressões cada vez mais comuns. A sindicalista conta que, na semana passada, um médico da UPA (Unidade de Pronto-Atendimento) Campo dos Alemães foi ameaçado de morte por ter se recusado a passar um atestado de médico para um paciente que queria faltar ao trabalho. "Os médicos estão sem segurança", diz Motta, que também culpa a falta de GCMs nas unidades de saúde pelo problema.

Pesquisa Médica número 3

A revista Pesquisa Médica está no seu terceiro número com uma quantidade de informação grande. A qualidade do texto é muito boa. Não sei exatamente qual o público-alvo, mas a qualidade das matérias indica interesse mais para médicos e profissionais de saúde do que para o público leigo. Uma sugestão seria agregar mais todo o complexo médico-sanitário, incluindo desde aqueles que gravitam na indústria farmacêutica até os militantes sanitaristas.

domingo, 5 de agosto de 2007

O custo da visita do representante farmacêutico

A revista Medical Economics publica texto sobre o custo do médico ao receber em seu consultório representantes farmacêuticos. Isto nos Estados Unidos. Um médico contabilizou um ganho de 6300 dólares a mais no seu orçamento, ao oferecer no tempo que recebia os representantes, mais consultas à sua clientela. Esse médico recebia 15 representantes por semana. Um estudo por empresa de assessoria chegou a valores parecidos.
Algumas secretárias de consultórios médicos brasileiros há décadas já falavam o mesmo.

sexta-feira, 3 de agosto de 2007

A incompetência da metáfora ou a metáfora da incompetência?

Esse livro de Sunsan Sontag, A Doença como Metáfora foi editado no Brasil em 1984. Emprestei para alguém, que não devolveu. Comprei depois a versão original. Caso esse exemplar encontre-se com você, amigo leitor desse blogue, por favor, envie ele diretamente, a Sua Excia. o Presidente da República, Sr Luiz Inácio Lula da Silva. O primeiro mandatário na Folha de S. Paulo " admitiu, 16 dias após o acidente com o Airbus da TAM, que estava mal informado sobre a extensão da crise aérea, iniciada há dez meses com o desastre do Boeing da Gol. Em reunião com ministros e líderes partidários, Lula comparou-se a um paciente que não soubesse a gravidade da doença e descobrisse que está 'com metástase no corpo todo'.
A sinopse do livro de Suzan Sontag pela editora foi o seguinte: utilizando as fantasias forjadas em torno do câncer, e também da tuberculose em tempos passados, Sontag realiza um severo exame da irreal e muitas vezes primitiva utilização da doença em nossa sociedade. O livro revela uma forma de protesto contra todas as formas de mistificação das enfermidades. As reflexões da autora muitas vezes se voltam sua vivência pessoal como portadora de câncer.

quinta-feira, 2 de agosto de 2007

Virando a medicina de ponta cabeça

Se você tiver interesse em em entender como fatores de risco tornaram-se doenças e, como sintomas foram substituídos por números. O livro Prescribing by Numbers
Drugs and the Definition of Disease de Jeremy A Greene é obrigatório. Entenderá também a bizarra decisão do FDA no caso Avandia. Em outras palavras, o medicamento não reduz o risco de doença coronariana, aumenta o de insuficiência cardíaca, mas reduz o valor da glicemia no jejum. Entenderam?

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

JAMA: Direitos Humanos e Violência.

O Journal of the American Medical Association publicou uma edição dedicada a assuntos relacionados a violência e direitos humanos. A página inicial da revista pode ser vista clicando aqui com visualiação dos resumos. Abaixo, a relação de artigos.
Interventions for Depression Symptoms Among Adolescent Survivors of War and Displacement in Northern Uganda: A Randomized Controlled Trial
Child Maltreatment in Enlisted Soldiers' Families During Combat-Related DeploymentsDeborah
HIV Prevalence and Predictors of Infection in Sex-Trafficked Nepalese Girls and Women
Exposure to War Crimes and Implications for Peace Building in Northern Uganda
Association of Trauma and PTSD Symptoms With Openness to Reconciliation and Feelings of Revenge Among Former Ugandan and Congolese Child Soldiers
Improving Batterer Intervention Programs Through Theory-Based Research
Hunger Strikes, Force-feeding, and Physicians' Responsibilities
Editorials Children of War and Opportunities for Peace

terça-feira, 31 de julho de 2007

Isto é SamPa

A foto ao lado de José Patrício da Agência Estado foi feita em São Paulo, hoje, para ilustrar o frio. Como o objetivo foi flagrar a compra de roupas, ele captou nessa amostra da população paulistana, um caleidoscópio racial e de cor de pele. Essa realidade é difícil de ser aceita pelos scholars americanos e os adeptos brasileiros que estão impondo o racialismo como política de estado. O falecido grupo Premeditando o Breque, já tinha cantado que a "japonesa loura, nordestina moura, só em São Paulo"

Quanto gastar em saúde?

Um questão antiga relaciona-se ao quanto gastar em saúde em um determinado país. Diz a lenda que um dia a Organização Mundial de Saúde estipulou em 5%. Valor mínimo ou maximo do Produto Nacional Bruto? Afinal, não depende da realidade demográfica e epidemiológica de cada país? Simplificando para a economia doméstica: um casal jovem com filhos irá ter gasto em educação e saúde diferente de seus pais já idosos e sem filhos em casa. Em Health Affairs , William Savedoff faz uma análise simples e elegante da questão do financiamento em saúde.

segunda-feira, 30 de julho de 2007

FDA: comissão considera que Avandia deve continuar no mercado.

20 x 3 foi o resultado. Leia no The New York Times. Interessante, o maior problema do diabetes é aumentar o risco de doença cardiovascular, mas o Avandia, não aumenta, nem reduz o risco de doença coronariana, diz o FDA. Então, por que prescrevê-lo?

A migração do médico da "rica" África para o "pobre" Canadá

A saída de pessoal médico da África para Europa, Estados Unidos e Canadá é motivo de preocupação cada vez maior. Há duas publicações recentes analisando o tema.
Ronald Labonte, Corinne Packer, Nathan Klassen, Arminee Kazanjian, Lars Apland, Justina Adalikwu,Jonathan Crush, Tom McIntosh,Ted Schrecker, Joelle Walker, David ZakusSeries Editor: Prof. Jonathan CrushAfrican Migration and Development Series No. 2, 2006Southern African Migration Project (SAMP) ISBN 1-920118-38-1 Produced by Idasa PublishingAva ilable online PDF [92p.]
Significant numbers of African-trained health workers migrate every year to developed countries developed countries including Canada. They leave severely crippled health systems in a region where life expectancy is only 50 years of age, 16 per cent of children die before their fifth birthday and the HIV/AIDS crisis continues to burgeon.1 The population of Sub-Saharan Africa (SSA) totals over 660 million, with a ratio of fewer than 13 physicians per 100,000.2 SSA has seen a resurgence of various diseases that were thought to be receding, while public health systems remain inadequately staffed. Migration and Developmente in Africa: an overview Richard Black, Jonathan Crush, Sally Peberdy with Savina Ammassari, Lyndsay McLean Hilker, Shannon Mouillesseaux, Claire Pooley, Radha Rajkotia African Migration and Development Series No. 1, 2006PDF [169p.] at:
"....The aim of this study is to synthesise existing research on migration in Africa, and its relationship to development policy. The report focuses on the relationship between migration, poverty and pro-poor development policy. Propoor policy is taken here to mean policies that are context-specific, listen and react to poor people’s voices, and/or seek to assist poor people to become less vulnerable and build up their income and assets. Government health and education policies might not be considered intrinsically pro-poor, but become so where they are targeted at widening access to health and education services, and especially basic health and education services (e.g. primary care, vaccination campaigns, primary schooling), or at responding to the specific needs of the poor. ..."

Dica de livro: Globalization and Health

Um livro que merece tradução é Globalization and Health de Ichiro Kawachi e Sarah Wamala, da Oxford University Press. Ele apresenta uma visão diferenciada da saúde pública abordando temas relevantes pouco discutidos como a dominação do automóvel nos dias atuais.
O grande pecado desse livro, para variar, é considerar a globalização como um fenômeno atual, contemporâneo. Essa é a grande negação da história que muitos pesquisadores - involuntariamente - cometem.
Eu particularmente aprecio muito a visão de Charles M. Boxer, expressa na obra O Império Marítimo Português - 1415 - 1825, edição da Companhia das Letras. Ele apontou que a expansão portuguesa e holandesa se chocaram naquilo que ele descreveu como sendo a Primeira Guerra Mundial que envolveu Pernambuco, Angola e a Indonésia. Em outros termos, a globalização se inicia muito antes com impacto no desenvolvimento da humanidade, vide a transferência de ouro, a migração de alimentos e de doenças entre os continentes.

domingo, 29 de julho de 2007

NYT: uma análise da aids na Líbia

The New York Times (ver abaixo) apresenta uma análise da situação da aids na Líbia, após a libertação das enfermeiras búlgaras e do médico palestino. Revela que racismo, predomínio dos clãs na região de Bengazi e, o total descontrole sobre a hemoterapia estão na base do ocorrido. A Organização Mundial da Sáude considera os dados oficiais sobre a doença como "subnotificados". Foram-se os injustiçados profissionais da saúde, ficaram as vítimas de um sistema infame, cruel e incompetente.
THE safe landing of five Bulgarian nurses and a Palestinian doctor in Sofia last week, freed of a death sentence after eight years in Libyan prisons, was an apparent victory of diplomacy at long last. But the drawn-out drama over Libyan accusations that the medical workers had infected children with H.I.V. also reflects how difficult Libya’s own internal politics made it to reach an obvious solution far earlier, experts in the case said. And it calls attention to a sad epilogue that will play out in Libya: an AIDS epidemic that has never been fully acknowledged and that continues to spread, even as the 426 children who figured in this case depend on treatment in a system ill prepared for the task. Officially, two visits to Libya by Cécilia Sarkozy, the wife of the president of France, Nicolas Sarkozy, precipitated the release of the medical workers, who had been found guilty — not once, but twice — of infecting the children as part of a purported plot by the Israeli secret service. But hers were only the latest in countless series of pilgrimages by diplomats and scientists to plead with Libya’s leader, Col. Muammar el-Qaddafi. “It was completely clear scientifically since 2002 that they were not guilty,” said Vittorio Colizzi, an AIDS expert whom the Qaddafi family invited in 2000 to study the hospital in Benghazi where the infections took place. “But the nurses suffered for years from the incapacity of diplomacy and politics to free them in a timely manner.” He and another expert, Dr. Luc Montagnier, concluded that the AIDS virus was present in the hospital before the nurses arrived, probably carried to Libya by guest workers from countries in sub-Saharan Africa. In many of those nations more than 10 percent of the adult population is infected. Mr. Colizzi concluded that the virus had been spread by the infusion of unscreened blood and blood products, as well as by unsterilized equipment, pervasive problems that have only been partly solved. A home-grown AIDS outbreak caused by lax practices at a government hospital was not an explanation the government could acknowledge, medical and other experts say, especially when there were convenient foreign scapegoats. Bulgarians have long provided medical care in Libyan hospitals, and “are very unpopular because of racism,” said George Joffe, an expert on Libya at Cambridge University’s Center of International Studies. Palestinians are unpopular, too, he said, “so this group provided an obvious target.” Once the doctor and nurses had been blamed, the families of the children had to be placated, which took time. Colonel Qaddafi is unpopular in Benghazi, which is Libya’s second-largest city and was the home of Libya’s former regime, Dr. Joffe said. Also, Benghazi is a city of extended clans, so each sick child could be related to many residents, if distantly. “Qaddafi needed to pacify the community there, while satisfying the international community,” Dr. Joffe said. “Of course, he exploited the issue for political and economic gain internationally. But basically, a domestic issue delayed international resolution.” (....) Libya reported 10,450 cases of H.I.V./AIDS to the World Health Organization by the end of 2006, but outside experts consider that figure low. “There may be a lot out there that’s not detected or reported, as is true in many countries in the region,” said Gabriele Riedner, regional adviser to the World Health Organization in Cairo. “There is evidence of increasing H.I.V. infections in Libya, especially among the younger age groups,” with many cases, if not most, among users of injection drugs, the W.H.O.’s annual report says. Early on, European negotiators recognized that winning over the families would be crucial in freeing the doctor and nurses. Once the death sentences had been handed down, the negotiators felt the best hope for the jailed medical workers would be to invoke Islamic law and custom, under which injured parties accept compensation and express forgiveness, allowing the sentences to be reduced or overturned. “We were constantly working around two axes: to give signs of attention to the families to show them the world cared, vis-à-vis things like equipping hospitals and providing medical care,” the E.U. diplomat said. “And to see how far we could go in helping with compensation. But in many ways this was less important.” In the end, the families received $1 million apiece, almost all of that paid by the Libyan state, Dr. Joffe said, and agreed to the death sentences’ being dropped. The European Union and its member states have sent tens if not hundreds of million of dollars in aid to Libya, to create “a positive psychological and political environment” for the families. Furthermore, the children have been treated in hospitals in Italy, France and Britain. Still, said Dr. Colizzi, who has seen the children during visits to Benghazi and in Europe, some are “really sick” and are not getting good treatment at home. More than 50 have died. “The tragedy for the nurses is finished; now starts the tragedy for the children,” he said.