terça-feira, 23 de outubro de 2007

Queda dos homicídios: novamente a negativa

Globo News discutiu a violência no programa Entre Aspas. Um juiz carioca e um professor mineiro. Durante 23 minutos não se discutiu a queda dos homicídios em São Paulo. Somente a ção da polícia carioca. O juiz afirmou que o aumento de presos não teve qualquer impacto nos indicadores de violência. A apresentadora citou o exemplo de Bogotá. Somente no final, o professor mineiro - Claudio Beato - ressaltou o ocorrido em São Paulo como exemplo positivo e associado ao aumento do encarceramento. O juiz ficou furioso e afirmou que houve várias ações sociais que reduziram os homicídios. O programa acaba.
Comentando: há um medo imenso em discutir o que se passou em São Paulo, afinal vai contra tudo o que os intectuais da área preconizaram por décadas.

domingo, 21 de outubro de 2007

Comparando risco na estrada, melhor do que preço de pedágio

Está na coluna de Elio Gaspari (hoje):
BOA NOTÍCIA A Agência Nacional de Transportes Terrestres, ANTT quer botar na internet as planilhas do fluxo de veículos em todas as rodovias privatizadas do país. Pode demorar uns meses, mas deve acontecer. Com esses números será possível ver com mais precisão a receita das concessionárias federais e estaduais
Melhor notícia ainda: com esses dados, mais o de acidentes com vitimas graves e mortes será possível calcular as taxas de acidente e morte em cada trecho de cada rodovia pedagiada. Depois será comparar as taxas obtidas com o valor do pedágio.

sábado, 20 de outubro de 2007

O elementar caro Watson

James Watson é o exemplo típico onde o adjetivo que inglês fica mais bonito: "overrated".
Já falou muita asneira. A última (não repetirei aqui) é pior de várias. Uma esquecida que a imprensa mundial toda entrou foi a cura do cãncer em 1998. Ele confidenciou a Gina Kolata que uma novo grupo de medicamentos - a angiostatina - revolucionaria o tratamento das neoplasias malignas e, que em dois anos, a cura chegaria a todos. Gina noticiou no The New York Times. Repercutiu em todo o mundo. Até Folkman, do Childrens Hospital de Boston, cientista principal dessa linha de pesquisa não entendia o porquê de tanto sensacionalismo. A razão, o elementar caro Watson.

Mais brasileiros do que chineses e indianos

Se o IBGE aceitasse todas as retificações de contagem populacional dos prefeitos - notícia de hoje, em todos jornais - seríamos a maior população do mundo, superando a Índia e a China. A ganância por mais recursos impulsiona os ataques ao IBGE e seus técnicos. No Censo de 2000 parte da imprensa embarcou na onda, sempre apresentando alguém - artista, celebridade - que não tinha sido abordado pelo Censo. Pura bobagem, os problemas de contagem são conhecidos e podem ser contabilizados pelos técnicos do IBGE.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Onde não existe impunidade no trânsito

A notícia abaixo saiu no The Boston Globe. Uma mulher com câncer de mama, 76 anos, talvez por "barbeiragem" entrou com o carro na entrada do hospital próximo a Boston, onde ela se tratava e, matou duas pessoas, ironicamente um médico radioterapeuta que poderia tratá-la no futuro. Os promotores não tiveram dúvida em acusá-la de homicídio doloso. (homicídio culposo em inglês é manslaughter) Ressalto que a senhora de 76 anos foi acusada, não condenada. Mas, acusada foi. Não sei como seria aqui. Mas, a "velhinha com câncer" seria vítima,não os filhos e viúvas dos dois mortos.
Essa é a diferença básica entre uma sociedade que não aceita que se mate com o carro, de outra que considera o acidente de trânsito como mera contigência de uma época.
Em Boston, quando do recebimento da licença de motorista, há necessidade de assinar um documento onde o motorista assume que ele está recebendo uma concessão de dirigir no estado de Masschusetts e, não exercendo um direito legal.
A 76-year-old Rockland woman whose car plowed into an entrance of Brockton Hospital Monday, killing two staff members, has been charged with motor vehicle homicide. Jane Berghold, a breast cancer patient, was at the hospital for an appointment when her car crashed into the hospital, killing Dr. Mark A. Vasa, chief of radiation therapy, and fatally injuring Susan Plante of East Bridgewater. Two other staff members were injured in the crash. Plymouth District Attorney Timothy Cruz has charged Berghold with two counts of motor vehicle homicide by negligent operation and one count of operating a vehicle to endanger, said Bridget Norton Middleton, a spokeswoman. She would not elaborate on why prosecutors filed charges. An initial court date has not been set.Berghold, her husband, and her son have said she tried to stop the car. A man who answered the phone today at the Berghold residence said the family would not comment.

Aumento da licença-maternidade: lógica demográfica

O Senado aprovou a proposta de extensão da licença-maternidade de 4 para 6 meses,mas com cláusula de compensação, via renúncia fiscal, para a empresa optante. O debate ideológico corre solto. Fico fora. Do ponto de vista estritamente demográfico, a medida é adequada. Países com taxa de fecundidade abaixo de 2,1 filhos por mulher em idade fértil necessita de políticas de incentivo à maternidade. Se essa medida será efetiva, há mais dúvidas do que certezas observando as experiência européias.
Apesar da lógica demográfica, sou testemunha de que as mulheres amam seus filhos, mas gostam também de trabalhar. A primeira amiga a engravidar, confidenciou-me, ainda na época dos 84 dias de licença, que ficar em casa o tempo todo não era exatamente atrativo a ela. Fiquei estarrecido, mas comprovei que a opinião dessa amiga seria a mesma de inúmeras outras amorosas e dedicadas mães.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Pedágio e morte nas estradas

A discussão dos governo federal e a do estado de São Paulo realizada pelos seus apoiadores na mídia é ridícula, para dizer o mínimo.
Proponho que uma parcela minúscula da privatização das rodovias permitsse a análise epidemiológica do acidente de trânsito. Já existe expertise entre os engenheiros e médicos de tráfego. O que eles fariam? Simplesmente, contariam o número de acidentes por trecho e construiriam taxas de acidentes. O numerador seria o número de acidentes (e de vítimas fatais) e o denominador o número de carros circulantes no trecho e período, uma informação que somente as rodovias pedagiadas permitem. Depois disso fariam uma análise sócioeconomica considerando todos os custos envolvidos. Aí, sim poderemos dizer quem cobra pouco, quem cobra muito. Afinal, melhor gastar 10 e, vivo do que 5 e, morto.

A pílula da barriga: dúvidas no EUA, lucro na Europa, publicidade no Brasil.

O Bom Dia Brasil levantou a bola do Acomplia, nome do rimonabant, como a pílula da barriga. (clique aqui para ver a reportagem) . Não entendi, afinal o medicamento aprovado pela ANVISA, recusado pelo FDA ainda não está no mercado. Na Europa, no entanto o sucesso é enorme e , a Sanofi está satisfeira. Abaixo reportagem do The Wall Street Journal.
Sanofi Satisfied with Acomplia in Europe Posted by Jeanne Whalen Although Sanofi-Aventis failed to get its obesity pill rimonabant approved in the U.S. this summer, the company says it’s satisfied with the uptake in Europe, where the medicine was launched last year. Nearly 300,000 Europeans are taking rimonabant, sold under the brand name Acomplia. About half of them are obese and also have type 2 diabetes, Pierre Chancel, Sanofi’s head of global marketing told the Health Blog. Chancel said Sanofi is pleased with this patient profile because the company wants the drug to be seen as a serious medical treatment and not just a pill for cosmetic weight loss. Sanofi is testing rimonabant as a treatment for diabetes in several big trials and plans to request regulatory approval for that use in 2009. So far Acomplia sales “are completely comparable to the ramp-up of anti-diabetic drugs…so 300,000 is something that is very satisfactory,” Chancel said. Some European governments have refused to pay for Acomplia, however, judging it a “lifestyle” drug with few real medical benefits despite the company’s arguments. Some patients are choosing to paying for it out of their own pocket, Chancel said. Acomplia costs about 2.60 euros per pill (or $3.68). Worries about psychiatric side effects, including suicidal thinking, weighed on a panel of medical experts who advised the U.S. FDA in June to reject the drug. Weeks later Sanofi withdrew its application to U.S. regulators for the medicine, while it gathers additional data to quell concerns about the drug. Stateside the brand name was to be Zimulti, which reminded the Health Blog of an Italian pasta dish.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Los muertos que vos matais: a impunidade no trânsito é parte da glorificação do marginal

A pauta "morte nas estradas" e "morte no trânsito" pegou. Nada diferente do passado, simplesmente com a redução dos homicídios, esse problema está cada vez mais candente. Há culpados de vários níveis e gradações. Vamos, por parte:
1. a imprensa que há dez anos fez pouco caso do novo Código de Trânsito e, se preocupa mais com valor de pedágio do que com a segurança nas estradas pedagiadas e não-pedagiadas;
2. proprietários que não mantêm os carros em condições mínimas de segurança, mas gastam em rádios novos, p.ex.;
2. a publicidade cervejeira que estimula o consumo de álcool;
3. governos que não cuidam e não cuidaram de estradas no seu devido tempo;
4. empresas automobilísticas que não utilizam no Brasil, os dispositivos de segurança existentes nos países de origem das empresas;
Porém, milhões de cidadãos utilizam carros inseguros em estradas inseguras, mas fazem a conservação do veículo e , não dirigem sob efeito do álcool. E, consequentemente não matam ninguém, a não ser na definição estrita de "fatalidade".
Ao contrário, há uma minoria extrema de homicidas que utilizam seus carros da forma a mais agressiva possível. A eles, nenhum perdão deve ser admitido, a não ser a mão pesada da lei. Seja ele jogador de futebol, membro do ministério público, comentarista da rede Globo ou pagodeiro. Matou, vai preso.
Parece que estamos acordando para o fato simples que "bandido é bandido" e que a "criminalidade se reduz combatendo o criminoso". Por isso, rigor na punição aos assassinos que portam carros, não revólveres é urgente.

sábado, 13 de outubro de 2007

O tráfico de benzodiazepínicos, agora na mão de traficantes.

Como é muito chique fazer apologia do crime, estou aderindo ao discurso da classe média culpada sei-lá-do-que de solidariedade a criminosos. Bem, explicando melhor e, retirando o sarcasmo da frase anterior, o fato de gangues estarem falsificando receituários e carimbos de médicos para vender benzodiazepínicos já é um avanço. Como? Primeiro, que não há mais jeitinho nas farmácias. Segundo, médicos estão recusando à chantagem corriqueira de vizinhos, parentes, professores de inglês, treinadores de academia, pais de amigos dos filhos que pedem, solicitam, ameaçam por um receitinha de Lexotan ou outros benzodiapínicos. Já tratei disso em Doutor, não colabore com o tráfico de drogas. Abaixo, reportagem do Jornal da Tarde.
MP denuncia tráfico de receitas Esquema funciona livremente na Praça da Sé Felipe Grandin e Fernanda Aranda O Ministério Público (MP) vai investigar o tráfico de receitas médicas que acontece livremente no Centro da Capital. O esquema foi denunciado na quarta-feira pelo Jornal da Tarde. A reportagem comprou quatro receituários e com um deles adquiriu um medicamento tarja preta, de uso controlado, em uma farmácia. A oferta é tão grande que há até concorrência: o preço das receitas varia de R$ 20 a R$ 70.O remédio e os receituários adquiridos pelo JT foram entregues ao MP, que encaminhou o material à polícia e determinou a abertura de um inquérito para apurar o crime. Cópias da denúncia foram enviadas ao Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), para apurar a eventual irregularidade na conduta dos médicos, e à Vigilância Sanitária, que investigará se houve conivência ou falha na fiscalização.O promotor Eronides dos Santos, que formalizou a denúncia, diz achar difícil, no entanto, que esses profissionais estejam envolvidos no crime. 'Temos que investigar, mas muito provavelmente não houve participação de médicos e agentes públicos', disse. O presidente do Conselho Regional de Medicina de São Paulo (Cremesp), Henrique Gonçalves, concorda: 'Invariavelmente os médicos não conhecem quem cometeu o crime.'Segundo o promotor, o importante será a investigação policial, pois tudo indica que os receituários foram roubados ou falsificados. 'Pela investigação podemos chegar a quem cometeu o furto ou à gráfica que fez a falsificação. Pode ser até uma quadrilha organizada', afirma Santos.Na quarta-feira, três homens foram presos pela Polícia Militar depois do esquema ser denunciado pelo JT. O plaqueiro Oliveira Ferreira, de 73 anos, Roberto Joaquim da Silva, de 58, conhecido como Macumba, e Luis Carlos do Nascimento, 46, o Cabeção, foram autuados em flagrante por falsificação de documento público, exercício ilegal da medicina e por fornecer remédio em desacordo com a receita. Junto com eles, foram apreendidas 40 receitas e atestados médicos, 15 cartelas de medicamentos controlados e um carimbo com nome de médico.A porta de entrada do tráfico de receituários são os 'homens-placa' que anunciam atestados médicos na Praça da Sé. Os plaqueiros levam os compradores até os traficantes, que fornecem as receitas ou os próprios remédios controlados. Durante a reportagem, foi oferecido até um serviço de delivery, em que o medicamento é entregue na casa do 'cliente'.
CarimbosOntem, o JT mostrou também que qualquer um pode fazer o carimbo de médico e falsificar as receitas de medicamentos controlados. A reportagem encomendou por fax dois modelos com nome fictício e CRM inativo em lojas diferentes do Centro. Não foi preciso apresentar nenhum documento. Os carimbos com o nome de Alberto Caeiro,uma das identidades usadas pelo poeta português Fernando Pessoa, ficaram prontos no mesmo dia, ao custo de R$ 6 e R$ 15,90

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Chagas na Amazônia

O Estado de S.Paulo noticia hoje 100 casos de doenças aguda de Chagas com 4 mortes devido ao consumo do açaí em estados da região Norte. Em 2006 foram 115 casos. Nos Cadernos de Saúde Pública há artigo de Roberto Briceno- Leon, La enfermedad de Chagas y la globalización de la Amazonia (artigo completo), cujo resumo encontra-se abaixo. El incremento de casos autóctonos de la enfermedad de Chagas en la Amazonia a partir de los años setenta hace temer que pueda convertirse en un novedoso problema de salud pública en la región. Este cambio del patrón epidemiológico de la enfermedad en la región amazónica debe ser explicado por las transformaciones ambientales y sociales que han ocurrido en los pasados treinta años. Este artículo utiliza la teoría sociológica de los efectos perversos para explicar esos cambios como el resultado indeseado del cambio de modelo de desarrollo "hacia adentro", que había existido hasta los años setenta, por otro "hacia fuera" que está orientado por las fuerzas de la producción y el comercio internacional que conocemos como globalización. El artículo destaca que la implantación de cinco nuevos patrones de ocupación agrícola, ganadero, minería, madera y urbano que han generado cambios en el medio ambiente y el hábitat indígena tradicional y que han provocado corrientes migratorios, deforestación, sedentarización de la población, presencia de animales domésticos y modificaciones en el hábitat que facilitan la colonización de las viviendas por los vectores y la transmisión domestica y laboral de la enfermedad. La expansión de la enfermedad de Chagas es un efecto perverso del proceso de globalización de la Amazonia.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Geriatras e o cuidado com o idoso.

A entrevista com Alexandre Kalache, médico carioca, que esteve 30 anos no Reino Unido e na Organização Mundial de Saúde com enfoque em gerontologia traz dados e conceitos já conhecidos dos "iniciados", mas ainda distante da maioria dos médicos e profissionais de saúde. Por exemplo, uma coisa é reduzir o número de pediatras. Outra é substituí-los por geriatras. Sempre lembro que antes do envelhecimento há muito a fazer na clínica médica geral (e, suas especialidades).
FOLHA - Temos no Brasil perto de 550 geriatras contra 30 mil pediatras. Com o envelhecimento da população, esse quadro deve mudar?
KALACHE - Até certo ponto. A gente não vai conseguir formar geriatras em quantidade para atender, em planos mundiais, 2 bilhões de idosos no ano de 2060. A gente vai poder fazer com que todos os profissionais de saúde saibam aquilo que seja a essência, a base da atenção do idoso. Estou muito mais interessado em que todos os ortopedistas de amanhã, todos os oftalmologistas, todos ginecologistas, todos cirurgiões saibam lidar com idosos e entendam o mínimo sobre a fisiologia do idoso, a anatomia, a depressão, a saúde mental do que formar especialistas. Do contrário, o risco é você acabar medicalizando e tornando o envelhecimento uma especialidade e não uma etapa da vida. O papel do geriatra é muito importante porque, você tendo bons geriatras, terá bons treinadores daqueles profissionais que precisam ser treinados.

domingo, 7 de outubro de 2007

Há indicações e indicações, usos e usos, cuidados e cuidados: a talidomida e o Citotec

Um famoso deputado federal popularizou a frase "uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra coisa". No caso dos medicamentos, esse adágio traz algo de real e concreto. Não há medicamento bom ou ruim. Somente há indicação correta e incorreta. Uso adequado e inadequado. Cuidado existente na guarda de medicamento ou nenhum cuidado. Na semana que se divulgaram novos casos de lesão fetal pela talidomida, The Lancet publicou ensaio clínico realizado na França mostrando que a adição da talidomida ao tratamento clássico do mieloma múltipla estende a sobrevida média em seis meses dos pacientes com esse tipo de câncer. Um avanço no tratamento considerando o baixo custo e risco nenhum, exceto permitir o uso pela filha como aconteceu no Rio Grande dos Sul. Há que tomar cuidado, porque em breve haverá um demagogo propondo a proibição da talidomida no país.
Em tempo, o excelente medicamento para úlcera péptica associada ao uso de anti-inflamatórios, o misoprostol (popular Citotec) foi proibido por ser abortivo . Com isso, os idosos perderem a possibilidade de utilizar um excelente medicamento (ele também é indicado para indução do aborto incompleto). A proibição atingiu somente ao uso terapêutico. Quanto ao uso no aborto, tentem acessar no google "citotec".

Carta ao Presidente: Vítimas da Talidomida (O Estado de S. Paulo, 07/10/07)

Hoje, em "O Estado de S.Paulo" há carta aberta reproduzida abaixo pela Associação de vítimas da talidomina. Há informação inédita como o sumiço de 5 mil comprimidos e, a recomendação para uso na malária. Descobri que a repercussão no Brasil ocorreu por causa da reportagem do The Financial Times no dia 01/10. No dia seguinte, Valor Econômico reproduziu a matéria e, no dia seguinte (junto com esse blogue que tinha lido no site do jornal inglês), a Folha de S. Paulo publicou reportagem completa com entrevista com a autora do artigo e representante do Ministério. Acho que a assessoria de imprensa da UFRGS e do Ministério da Sáude precisam ficar mais atentas ao que se publica sobre o país. Estranho, sermos pautados pelos ingleses. Aliás, depois da compra do The Wall Street Journal por Robert Murdoch, resta o The Financial Times.
'Descontrole na área da Saúde gerou a segunda e a terceira geração de vítimas da talidomida' Claudia Marques Maximino e Flávio Augusto Werner Scavasin, PRESIDENTE E VICE DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DOS PORTADORES DA SÍNDROME DA TALIDOMIDA Em nome das vítimas brasileiras da talidomida, e com o apoio de diversas entidades internacionais, é nosso dever informá-lo, uma vez mais, que ao contrário do que até muitos médicos pensam, o Brasil continua a gerar crianças com graves deficiências físicas provocadas por essa droga. Isso acontece devido a reiterada omissão governamental e deliberada intenção de expandir ainda mais o seu uso. É uma tragédia anunciada exclusivamente brasileira - tal qual a do setor aéreo -, já que nenhum outro país caminha nessa vergonhosa direção, com tantos erros, prevaricação, falta de controle, impunidade e acobertamento de interesses escusos. Não queremos que o senhor diga que não sabia dos seguintes pontos: o descontrole na área da Saúde gerou a segunda e a terceira geração de vítimas da talidomida; em seu governo, esse remédio vitimou pelo menos mais cinco brasileirinhos, em apenas 2 anos (eles portam graves problemas físicos externos e em órgãos internos); mais vítimas estão nascendo porque nada tem sido feito, mesmo diante do desaparecimento de 5.760 comprimidos de talidomida; médicos insensatos chegam a sugerir em eventos oficiais que a droga seja utilizada até preventivamente contra a malária e o governo federal continua lavando as mãos, descumprindo a legislação, inclusive educativa; todas as conquistas das vítimas, quando estas logram êxito, têm sido obtidas em morosos processos judiciais; projetos de lei de nosso interesse ficam parados no Legislativo (PL 1156/2006, PLS 08e 19 /2006); ninguém presta ajuda ou sequer tenta consolar as famílias das crianças que não sobrevivem. Senhor presidente, ainda nos resta a esperança de que seu governo possa dar uma exemplar reviravolta na trajetória macabra da talidomida no Brasil. Queremos basicamente respeito e rígido cumprimento da legislação pertinente - sempre no sentido de restringir o uso da talidomida e buscar um sucedâneo -, assim como uma ampla campanha de esclarecimento sobre os riscos da droga e da automedicação, prática amplamente difundida na população.

Os vitimizados de 68 já acordaram

Pensei que iria comentar sobre o risco do "ataque de vitimização da geração 68" somente em janeiro, talvez fevereiro de 2008. Mas, começou com o Che, agora no Estadão, o fótografo da passeata dos cem mil está procurando onde estão os participantes. Haja paciência, simplesmente muita paciência com esses mimados com sessenta anos de idade. Essa geração clama ao mesmo tempo os créditos por heroísmo e a recompensa por vítimas. Os eventos de 68 foram somente fotográficos (quantas vezes veremos a foto do carro queimado na Ipiranga com São João ou a briga da Maria Antônia no próximo ano?) mas pouco efetivos em termos de ganhos. Não há como negar a guerrilha urbana e rural foi uma enorme irresponsabilidade que ceifou vidas e justificou o que existia de pior no estamento militar. Quando da promulgação do AI-5 em dezembro, várias organizações "saudaram o fato", porque assim a "ditadura mostrava a sua real face".
Os acontecimentos de 1977 - nos quais participei ativamente - tinham objetivos como anistia, amplas liberdades democráticas e convocação de uma assembléia constituinte. Ganhamos o jogo.
A repressão ao movimento em 77 como a invasão das Faculdades de Medicina da UFMG e USP e da PUC não mereceram nenhuma reportagem. No caso da PUC, mesmo as vítimas reais (queimaduras graves) não se portaram como "vítimas".
Voltando ao fotógrafo de 68, aposto que o número de presentes na passeata dos cem mil chegará a um milhão! Vários com certeza vão entrar com pedidos de indenização ou semelhante.